Salvador, 19 (AE) - Mesmo com todo avanço tecnológico e um verba de quase R$ 4 milhões, os engenheiros do Clube Naval do Rio de Janeiro não conseguiram concluir a tempo a réplica da nau capitânia, usada por Pedro álvares Cabral na viagem do Descobrimento. Batizado com toda pompa, na segunda-feira, na Base Naval de Aratu, na Baía de Todos os Santos, o barco não seguiu hoje de Salvador para Porto Seguro, como estava previsto.
A nau iria liderar a frota de 40 embarcações que participará das comemorações dos 500 anos de Brasil no sábado (22). Os engenheiros alegaram, entre outras coisas, que o sistema de propulsão a vela da réplica não funcionou convenientemente nos testes feitos nos últimos dias, quando o barco foi lançado ao mar e seria arriscado fazer a viagem até Porto Seguro sem os ajustes necessários, embora a rota seja contornando a costa baiana. Além do problema na propulsão, o almirante Domingos Castelo Branco, que faz parte da equipe de construção, disse ser necessário colocar 18 toneladas de chumbo no lastro da embarcação para dar mais estabilidade. O chumbo foi encomendado de uma empresa paulista e estava sendo aguardado hoje em Salvador.
Os dois anos que a equipe de engenheiros navais cariocas teve de prazo para construir o barco não foram suficientes para deixá-lo em condições de navegação e a previsão é que ele só zarpe de Salvador na sexta-feira (21) devendo chegar a Porto Seguro na segunda-feira, depois da encenação sobre a chegada dos portugueses no Brasil - prevista para sábado. Considerado um barco infinitamente mais sofisticado, seguro e confortável do que o de Cabral, com dois motores de 285 HPs cada um, de potência, na prática a réplica mostrou-se bem mais ineficiente que as velhas e inseguras caravelas que atravessavam o Atlântico há 500 anos.

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