A chegada de um bebê é cercada de muitos detalhes desde o dia em que o casal descobre que o resultado dos exames deu positivo. No entanto, alguns deles acabam sendo surpreendidos com o nascimento antecipado do herdeiro. Os motivos para a chegada precipitada variam desde a gemeralidade (com o aumento da fertilização assistida é maior a possibilidade de nascimento de gêmeos ou trigêmeos), passando pela rotina agitada da mãe, até problemas de saúde que a gestante pode sofrer durante a gravidez.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são considerados prematuros bebês que nascem com idade gestacional menor ou igual a 37 semanas. ''Também existem os prematuros tardios, que nascem entre 34 e 37 semanas. E os prematuros extremos, que têm menos de 30 semanas'', explica Graziela Lopes Del Ben, médica neonatologista da UTI neonatal da unidade Itaim do Hospital São Luiz, na capital paulista.
Esses bebês demoram mais para desenvolver a parte pulmonar. ''A imaturidade do pulmão é o problema principal dos prematuros. Eles desenvolvem a síndrome do desconforto respiratório, ou a doença das membranas ialinas'', explica Graziela.
Segundo a especialista, essas crianças têm a deficiência de uma substância chamada surfactante, presente nos alvéolos pulmonares. A falta de surfactante impede que os alvéolos se mantenham abertos durante a entrada de ar. Mas felizmente desde a década de 90 pode ocorrer a reposição dessa substância. ''Esse método já era usado nos Estados Unidos. Isso mudou a neonatologia e a sobrevida dobrou'', comemora Graziela.
Outro problema comum com esses pequenos, de acordo com Marisa Sassaki, neonatologista pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e neonatologista do Hospital São Camilo - Ipiranga, é a retinopatia. ''A retina do bebê não está desenvolvida até 34 semanas'', explica Marisa.
Nesses casos, a partir da quarta semana de vida, o oftalmologista faz um exame de fundo de olho no recém-nascido e passa a acompanhá-lo. ''Se os vasos da retina começarem a se proliferar de forma anômala, o médico pode usar laser para estancar essa proliferação. Se ela descolar pode haver déficit visual'', explica a doutora Graziela.
A parte neurológica também pode ser afetada, de acordo com Marisa Sassaki. O risco é maior em bebês que nasceram com menos de 30 semanas. ''Há casos de hemorragia intracraniana, quando os vasos delicados do cérebro podem se romper'', diz. ''Existem hemorragias de grau leve até graves. Isso é diagnosticado através de ultra-som'', complementa Graziela.
Os ouvidos do bebê prematuro exigem cuidados e acompanhamento. ''Ele sofre estresse orgânico e ambiental. Pode haver deficiência auditiva. Se ela for constatada, o otorrino recomendará o uso de aparelho'', diz Graziela.
Já a pele desse bebê é muito delicada, segundo a doutora Marisa. ''Além disso, todos os órgãos podem ser afetados, pois se desenvolvem em um ambiente inóspito'', esclarece a médica.
Apesar desses problemas, graças à adequação dos exames de pré-natal e as descobertas da área tecnológica, os prematuros superam as barreiras iniciais e passam a levar uma vida normal como qualquer outra criança.

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