Problemas econômicos e políticos incentivam tensões regionais
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por George Jahn 
Nadrag (AE-AP) - Eles vivem na mesma região e em circunstâncias muito diferentes. Um deles é um cigano tentando alimentar sua família de sete pessoas com poucos dólares por mês
o outro é um poderoso político.
Ainda assim, Josif Gyapias, o cigano desempregado, e Viorel Coifan, presidente do conselho municipal, têm a mesma visão sobre as tensas relações entre a parte ocidental da Romênia e o governo em Bucareste.
"Nós estamos famintos, com frio e eles não se importam", diz Gyapias. "É como se nós fôssemos dois países separados". Coifan chama Bucareste de "outro espaço" e diz que o leste e o oeste da Romênia são separados pela "história e pela mentalidade".
Tais expressões de separação de identidade entre os residentes da Romênia ocidental são geralmente atribuídas aos membros da maior minoria étnica, os húngaros. Mas na medida em que os problemas econômicos e políticos aprofundam-se, dez anos após a sangrenta queda do comando comunista, os romenos do oeste acreditam, cada vez mais, que estariam melhores com menos controle de Bucareste.
O professor de economia Nicolae Taran diz que as pessoas no ocidente não estão buscando autonomia, mas querem que o dinheiro dos impostos que pagam seja gasto na região, ao invés de ser enviado para Bucareste para redistribuição.
Num país unido há menos de um século, o poder constitui um problema constante. Uma recente discussão entre dois alunos numa sala de aula na cidade ocidental de Timisoara (um deles era de Timisoara e o outro da cidade oriental de Craiova), "degenerou em briga, com o estudante de Craiova gritando vocês querem a separação e o de Timisoara respondendo claro que queremos nos separar. Nós não queremos subsidiar sua ineficiência", conta Taran.
Parte dessas emoções são fundamentadas pela História. A Romênia existe como país desde 1861 e as regiões mais ao oeste, Banat e Transilvânia, só juntaram-se ao resto do país depois da Primeira Guerra Mundial.
Antes disso, Bucareste e os pontos mais ao leste estiveram sob domínio turco por séculos. As duas regiões ao oeste foram dominadas pela Hungria e pela áustria, o que tornou o oeste mais desenvolvido e levou à percepção local de que eles são mais avançados do que o leste.
O homem forte do regime comunista, Nicolau Ceausescu , usou métodos autoritários para promover a unidade nacional. Mas dez anos após sua execução, a rivalidade leste-oeste emergiu novamente, alimentada pela miséria econômica e o desencantamento com os sucessivos governos pós-comunistas.
Atrapalhada por escândalos políticos e lutas pelo poder, a economia romena está se contraindo, mesmo quando as economias na maioria dos países do antigo bloco comunista europeu estão em expansão. A inflação está em 55%, o desemprego chegou aos dois dígitos e aqueles que trabalham ganham menos, na média, do que o equivalente a US$ 100 por mês. Greve e protestos, alguns dos quais violentos, impedem os esforços do governo de fechar ou privatizar as ineficientes indústrias do país. Um labirinto de leis complicadas reprime os investimentos externos.
Desesperado, o presidente Emil Constantinescu tentou começar tudo novamente em dezembro, planejando uma crise de governo que forçou a demissão de seu primeiro-ministro e a substituição por um pragmático banqueiro.
Em nenhum lugar a desilusão é pior do que na Romênia ocidental. Emil Constantinescu foi zombado no dia 1º de dezembro
dia nacional da Romênia, quando falou a uma multidão na Transilvânia. "Nós provamos mais uma vez que somos desunidos e que ao invés de tolerância, somos regidos pelo ódio e pela violência", ele respondeu.
O descontentamento no oeste tem muitas vozes. Gyapias e sua esposa Maria foram demitidos no ano passado, seguindo o colapso da principal empresa de Nadrag, uma fábrica de artefatos de metal. A família agora sobrevive com 160.000 leus romenos, US$ 9 por mês, de indenização. Dos seus cinco filhos, com idades entre 10 e 16 anos, "apenas o mais velho tem meias e estão todos famintos", diz Gyapias. Desesperado, ele declara: "Nós entregamos todos os nossos filhos a um orfanato recentemente, mas os trouxemos de volta depois de um mês. Não podíamos suportar a vida sem eles."
Nadrag tentou por mais de um ano ser declarada zona nacional de emergência. Mas Bucareste nada fez. Alguns residentes suspeitam que ou as autoridades perderam a documentação ou estão ignorando o pedido da cidade porque ela está localizada no oeste.
Vlad Rosca, o ministro do governo central para administração diz que tais alegações "não são sérias". Mas Coifan, sentado em seu espaçoso escritório em Timisoara, 75 quilômetros ao oeste de Nadrag, registrou reclamações como a da ponte na cidade de Arad que não recebeu reparos por um ano, a distribuição desigual dos impostos e os constantes atrasos na aprovação dos projetos do oeste.
Radu Nicosevici, vice-presidente da Câmara de Comércio para Indústria e Agricultura de Timisoara, complementou as reclamações: o projeto de uma zona isenta de impostos na cidade, parado em Bucareste há cinco anos e o do canal de água para ligar a região ao Mar do Norte, engavetado há quatro.
"Quando você vê os recursos recolhidos aqui e distribuídos para as outras partes do país, sente-se ultrajado", disse ele.
O governo central em Bucareste discorda dessas afirmações. O ministro dos Transportes disse que 70% dos fundos emprestados no exterior para infra-estrutura foram gastos na região ocidental do país. Respondendo a outras reclamações, ele disse que o conserto da ponte de Arad foi realizado por autoridades locais; nenhuma documentação sobre um canal foi enviada ao seu ministério e outras zonas livres não são necessárias porque a existente continua subdesenvolvida.
Sabin Gherman, presidente da Pro Transilvania, um grupo que defende mais autonomia para o oeste, perdeu seu emprego na televisão estatal depois de acusar o governo central de corrupção e de chamar os romenos orientais ignorantes.
"As piores coisas vêm de Bucareste, dos luxuosos palácios, onde políticos estão brigando vergonhosamente por um osso para mastigar", declara Gherman. "Provavelmente, a não ser pela língua e pelas estradas ruins, nós não tenhamos nada em comum."


