O convívio diário de professores e alunos faz da sala de aula um dos melhores locais para detectar problemas oculares nas crianças. E quanto antes eles forem corrigidos, melhor, para evitar que o desempenho do estudante na escola seja afetado.
Com mais de 20 anos de experiência, a professora Ana Romera Gimenez tomou providências assim que notou que dois de seus alunos da 3 série do ensino fundamental estavam com problemas. Um deles tinha dificuldades para ler as informações escritas na lousa e tinha uma letra ilegível. O outro sentia fortes dores de cabeça no final da aula.
''Pedi que passassem a sentar mais próximos à lousa, mas não adiantou'', relata. ''Avisei os pais dos alunos sobre a importância de encaminhá-los para o oftalmologista e agora eles usam óculos. Não noto mais as dificuldades que tinham.''
''Os professores devem ficar atentos a olhos avermelhados ou lacrimejantes, coceira, constante estreitamento dos olhos para tentar enxergar melhor, baixa no aproveitamento escolar e quedas frequentes'', destaca Tânia Regina Martins, técnica do Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape), da Secretaria Estadual da Educação.
Outro sinal é a desatenção em sala de aula. ''Quem não está enxergando bem perde o interesse pelo que não consegue ver'', atesta Milton Ruiz Alves, secretário-geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Ele explica que o ideal é encaminhar a criança para uma avaliação médica adequada, pois com o tempo o problema pode se agravar.
E os desconfortos relacionados aos problemas de visão não se refletem apenas no desempenho escolar, lembra Ruiz Alves. ''Se não forem acompanhados com cuidado, sinais como vesguice ou estrabismo tornam a criança diferente e ela pode ser ridicularizada pelas demais, o que prejudica o relacionamento social'', completa o médico.(A.E.)

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