Uma sofisticada engrenagem, onde tudo está interligado e as reações acontecem em cadeia - é assim que funciona nosso corpo, e o que explica como um problema no dente pode ter repercussões na coluna, por exemplo. Ou o contrário.
A fisioterapeuta Vanessa Horevicht, de Londrina, afirma que o tratamento ortodôntico pode ter melhores resultados quando aliado ao tratamento fisioterápico. ''A recuperação é mais rápida, mais eficiente, e evita as recidivas'', ressalta. Da mesma maneira, a fonoaudiologia pode ser uma aliada no tratamento odontológico. ''Dores de cabeça, de ouvido, de fundo de olho podem ter origem mastigatória'', alerta a fonoaudióloga Karina Jullienne de Oliveira Souza.
Vanessa explica que alterações desde o crânio até o pé podem causar desequilíbrio muscular e articular, que, em cadeia, podem alterar por exemplo a oclusão dentária. ''Como é todo um problema compensatório você precisa associar o tratamento dentário com a fisioterapia. No caso de problemas de postura, por exemplo, como escoliose e hiperlorsose, é o mau posicionamento da cabeça que sobrecarrega a região (temporomandibular)'', afirma. Ela utiliza a chamada terapia craniana ou crânio-sacra, um dos ramos da fisioterapia, em que a correção é feita levando em conta toda a cadeia muscular e articular.
Um exemplo de compensação é quem usa aparelho sentir dores de cabeça. ''As pessoas acham que é normal, mas não é. Se você faz tração dentária, está mudando a posição da articulação temporomandibular (ATM), o que também muda a posição da coluna cervical, gerando tensão na nuca e dor de cabeça'', explica. Ela ressalta que, com a fisioterapia, há o reequilíbrio da musculatura, melhorando a posição de conforto mandibular e prevenindo e tratando outros problemas posturais. ''Pode funcionar até como auxiliar no tratamento dentário, diminuindo o tempo de uso do aparelho'', afirma.(C.P.)

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