Moscou, 19 (AE-REUTERS) - Aumentou hoje (19) a pressão sobre o presidente Boris Yeltsin em vista do aprofundamento de uma crise política e um escândalo sexual envolvendo o chefe do combate à criminalidade da Rússia.
Jornais e políticos criticaram a forma como ele reagiu ao escândalo, surgido quando a televisão estatal mostrou na quarta- feira um vídeo no qual um homem parecendo ser o procurador-geral Yuri Skuratov é visto numa cama com duas jovens.
A crise política, causada pelo desafio da Câmara alta do Parlamento a Yeltsin recusando a renúncia de Skuratov, poderia causar sérios problemas ao presidente caso ela continue.
O Conselho da Federação tinha até então apoiado usualmente Yeltsin, mas ela desafiou-o na quarta-feira ao aprovar duas controvertidas leis. Seu desafio levanta questões sobre como a casa irá votar nos procedimentos de impeachment contra o presidente.
"Isto é um tipo de declaração de um verdadeiro impeachment", afirmou Grigory Yavlinsky, líder do oposicionista Partido Yabloko, à REUTERS TELEVISION.
"Acho que existe uma verdadeira ameaça para o futuro de Yeltsin, especialmente depois da votação na Câmara alta... Isso significa que se o impeachment ocorrer na Câmara baixa, a Câmara alta irá apoiá- lo".
A Duma Estatal, a Câmara baixa do Parlamento dominada pela oposição, deve dar início aos debates sobre o impeachment de Yeltsin em 15 de abril. Ele enfrenta cinco acusações, entre elas sobre sua decisão de enviar tropas para esmagar iniciativas separatistas na rebelde Chechênia que resultou num guerra de quase dois anos.
Mesmo se a Câmara alta unir-se à Duma na oposição decisiva contra Yeltsin, o impeachment é um longo e complicado processo e o presidente tem toda chance de prolongá-lo para garantir que sirva seu mandato até o fim, em meados de 2000.
Mas assim como o impeachment ocupou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, por meses, o processo poderia assombrar Yeltsin pelo resto de seu mandato.
O presidente ordenou uma investigação sobre as origens do controvertido videoteipe supostamente mostrando Skuratov.
Mas jornais escreveram que o Kremlin não pode emergir incólume se a investigação for independente, dizendo que a decisão de mostrar o vídeo foi provavelmente tomada nos altos escalões políticos.
"Imagens comprometedoras foram feitas de Skuratov e foi Yeltsin quem sentiu o golpe", escreveu o populista Moskovsky Komsomolets.
Yeltsin manteve-se discreto hoje, não promovendo reuniões oficiais na residência Gorky-9 nos arredores de Moscou, para onde foi depois de deixar na quinta-feira o hospital no qual tratou-se por cerca de três semanas de uma úlcera estomacal.
Ele costuma demitir funcionários ao seu redor em momentos de crise a fim de mostrar que ainda é uma força a ser levada em consideração. Mas seus adversários comunistas disseram que estão prontos para desafiá-lo caso ele mexa no mais conservador governo que a Rússia tem tido em anos.
"Se eles (assessores) trazem um pedaço de papel para Yeltsin (assinar) amanhã e ele começar novamente a mexer no governo, então no dia seguinte a oposição pode usar todos os meios democráticos para formar um governo da confiança do povo", afirmou a repórteres o líder comunista Gennady Zyuganov.

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