Alguns sinais - como dor de cabeça, ardência e lacrimejamento dos olhos - podem indicar problemas de visão em crianças. Mas a primeira visita ao oftalmologista deveria acontecer bem antes deles aparecerem. ''O ideal é levar a criança para o primeiro exame aos três anos'', atesta o oftalmologista Marcelo Rosa Gameiro, de Londrina.
A medida é importante, segundo o médico, para detectar problemas em um só olho, que podem passar despercebidos. ''Aos três anos, a criança já informa quanto enxerga e já se deixa examinar'', avalia. Além disso, nessa idade, ainda é possível utilizar recursos para desenvolver a visão.
Gameiro explica que, quando a criança nasce, ela ainda não enxerga direito, e a visão vai sendo desenvolvida à medida que se utiliza a função, até próximo dos cinco anos de idade. O que ocorre se algum problema aparece em apenas um dos olhos, é que o outro ''compensa'', e o que tem o déficit não se desenvolve. Isso é chamado de ambliopia, um ''esquecimento'' do desenvolvimento na visão de um olho. ''Se uma criança tem grau grande em um olho e no outro nada e isso é diagnosticado apenas na idade escolar, aos sete anos, não se recupera mais'', alerta.
A exceção para a criança ser levada ao oftalmologista antes dos três anos de idade fica por conta do estrabismo, quando os olhos não são paralelos. Segundo Gameiro, é normal que o bebê, até os seis meses, ''desvie'' um pouco o olho. ''É normal desde que não seja sempre o mesmo olho e sempre o mesmo desvio. Se isso acontece, ou se a criança tem mais de seis meses, é necessário levar ao oftalmologista'', explica. O estrabismo pode ser causado por uma hipermetropia grande ou por uma alteração em alguns dos músculos da região dos olhos.
Na idade escolar, os principais indicativos de problemas de visão são ardência e lacrimejamento dos olhos, além da criança passar a ver TV ou ler de muito perto. Dores de cabeça também são comuns. Muitas crianças reclamam desse sintoma durante ou após uma leitura. ''Para focalizar as letras, os músculos oculares têm de se ajustar para olhar palavra por palavra. Quando o olho apresenta algum problema, o processo, chamado de motilidade ocular, causa a dor de cabeça'', explica Luiz Carlos Portes, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).
Os chamados problemas de refração incluem a miopia, que é a dificuldade para enxergar longe, a hipermetropia, dificuldade para enxergar objetos próximos, e o astigmatismo, uma alteração na córnea que deixa a imagem borrada. Todos esses problemas podem ser corrigidos com o uso de óculos.
Hoje, inclusive, já há indicação de uso de óculos multifocais para crianças míopes. ''Uma pesquisa recente relacionou que pessoas que lêem mais podem ter um desenvolvimento maior da miopia. Por isso, a indicação do óculos multifocal, para não forçar a acomodação (capacidade que o olho tem de mudar o foco de longe para perto) e desenvolver uma miopia maior mais tarde'', explicou Gameiro.
Segundo Milton Ruiz Alves, secretário-geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, de maneira geral, o uso do óculos é bem aceito pelas crianças. ''Mas se houver alguma rejeição, pais e professores devem conversar com o aluno e fazê-lo entender que os óculos são instrumentos para melhorar seu rendimento na escola e na vida.'' (Com Agência Estado)

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