Problemas de Pinochet não estão limitados à Grã-Bretanha Do correspondente Reali Júnior
Paris, 27 (AE) - Os problemas do ex-ditador chileno Augusto Pinochet com a Justiça européia não terminarão mesmo que o tribunal britânico venha a negar o pedido de extradição dele feito pela Espanha. Isso porque, à margem do processo britânico, o general deverá responder a outros processos na Bélgica, Itália , Suíça e também na França (que solicitou sua extradição em novembro).
Pinochet terá de responder pelo desaparecimento de cinco franceses no Chile e na Argentina. Assim, a Justiça britânica, independentemente do resultado do julgamento do pedido espanhol, provavelmente terá de examinar, posteriormente, o do governo francês.
Na França, as investigações estão a cargo do juiz Roger Le Loire, que já indiciou judicialmente o general Pinochet por "sequestro acompanhado de torturas". O juiz investiga o desaparecimento de cinco franceses no Chile e Argentina, entre 1973 e 1974, sendo que quatro deles considerados de esquerda pela ditadura de Pinochet, próximos do presidente Salvador Allende. Entre eles, Georges Klein, conselheiro de Allende e um antigo padre, membro do Partido Socialista chileno, Etienne Pesle. Em maio de 1975, desapareceu Alphonse Chanfreau, responsável do partido da esquerda chilena, o MIR.
Outros dois desapareceram na Argentina, onde a DINA , o serviço secreto chileno dispunha de um forte dispositivo de informação e repressão. Trata-se do militante do MIR, Jean Yves Claudet Fernandez e um mecânico que nada tinha a ver com política, Marcel Rene Amiel.
Há mais de um ano, o juiz francês Roger la Loire reuniu-se com o juiz espanhol Baltazar Garzón, enquanto os policiais franceses se deslocaram para o exterior para ouvir inúmeros testemunhos, desenvolvendo se uma forte cooperação internacional
envolvendo policiais e magistrados de diversos países. O juiz francês espera ter acesso aos arquivos da CIA e viajar para a América do Sul. No Chile ele solicitou que a policia ouvisse pessoas suscetíveis de ter informações sobre os desaparecidos, mas até agora não obteve nenhuma resposta, razão pela qual os meios judiciais europeus não acreditam que o Chile esteja em condições de julgar o general Augusto Pinochet.
O juiz francês, ao lado de Baltazar Garzón da Espanha, é um dos mais ativos, segundo revela a advogada Sophie Thonon, advogada da família dos cinco franceses desaparecidos. Como se vê, a cada dia aumentam as queixas apresentadas em diversos países europeus contra o general Pinochet. A possibilidade de apresentação de recurso no caso de uma decisão favorável a extradição poderá contribuir para manter o "staus quo", isto é
sua manutenção em prisão domiciliar. Diante do agravamento de seu estado de saúde, alguns juristas ingleses acreditam que o general Augusto Pinochet poderá terminar seus dias na mansão que lhe serve de prisão domiciliar nas imediações de Londres. Outros apostam numa decisão humanitária, diante da deterioração de seu estado de saúde e de sua idade avançada.





