Guaxupé, MG, 31 (AE) - Três desligamentos de energia elétrica atingiram ontem e hoje (31) mais de 60 cidades do sul e sudoeste de Minas, deixando a população preocupada. Muita gente pensou que o fato estaria ligado ao bug, o que foi negado em nota lacônica distribuída pela Cemig na região. Cidades como Poços de Caldas, Guaxupé, Pouso Alegre e Muzambinho, entre outras, ficaram sem energia, numa região com cerca de 300 mil habitantes.
A primeira interrupção ocorreu ontem, às 14h51, com duração de uma hora e 20 minutos. O segundo pique teve início hoje às 12h06 e durou seis minutos. Logo em seguida, houve um novo corte, às 12h16, que durou mais de sete minutos. Para o primeiro caso, o gerente de Distribuição da Cemig em Guaxupé, Leonardo Marques, reproduziu nota enviada para todos os distritos atingidos, segundo a qual "o problema ocorreu em um dos transformadores da subestação de Furnas em Poços de Caldas. O restabelecimento foi prejudicado porque no mesmo momento outro defeito foi detectado em equipamento diferente."
Ele disse desconhecer o esquema de Furnas e não soube informar se os defeitos foram em computadores. Já sobre os casos de hoje, Marques disse que o desligamento ocorreu para ajustes nos equipamentos que haviam apresentado defeito no dia anterior.
Mesmo garantindo que não devem ocorrer problemas, a Cemig escalou 20 técnicos de plantão na região e tornou disponível para todo o Estado o telefone 0800 - 310196 para dirimir dúvidas ligadas ao bug.
Muitas pessoas manifestaram hoje preocupação com possíveis blecautes na virada do ano. O publicitário Luís Carlos Tribst, da empresa Esperanto, responsável pela instalação de um telão no centro de Guaxupé, programava transmitir imagens do mundo todo. "Se houver problema, todo nosso trabalho vai por água abaixo", dizia.
Companhias - Mesmo atestando que as chances de problemas com o bug do ano 2000 eram mínimas, as empresas de energia intensificaram os esquemas de plantão na virada do ano. A intenção era estar com os sistemas na melhor condição possível para, em caso de emergência, suprir a demanda. Uma questão considerada relevante foi que, em período de festas, sempre há problemas devido a fatores não relacionados ao bug.
A maioria das empresas começou preparar sistemas antibug há mais de um ano, por exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Eletropaulo investiu R$ 120 milhões para modernizar as áreas de informática e telecomunicações, e R$ 15 milhões só para evitar as consequências do bug. O gerente do Projeto 2000 da empresa, Élio Yoshida, explica que, mesmo com problemas nos computadores, não houve mudança na transmissão de energia. Tudo o que estava funcionando continuou ligado. "Mas precisávamos estar preparados para fatores externos." Ele diz que o fato de as empresas - maiores consumidores de energia - estarem em recesso, ajudou bastante.
O plantão da Eletropaulo teve a participação de mil funcionários. Em áreas como a central de atendimento ao cliente, todos os 134 funcionários trabalharam. A frota de veículos foi reforçada. Além disso, a empresa teve também à sua disposição um helicóptero, e motociclistas-eletricistas.
A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) também instalou, desde ontem, um sistema de plantão. O centro estará em funcionamento até dia 3 de janeiro. A Cesp é responsável por 60% da geração de energia elétrica do Estado de São Paulo. Opera seis usinas hidrelétricas, instaladas nos Rios Paraná, Tietê, Jaguari e Paraibuna. A potência total instalada da empresa é de 7.731.000 quilowatts e a energia produzida é distribuída para o sistema interligado das regiões sul-sudeste e centro-oeste. "Em toda virada de ano montamos um esquema de plantão", explicou o diretor de Geração e Transmissão de Energia da empresa, Silvio Areco. "Desta vez o sistema foi bem reforçado." Colaborou Cláudia Bredarioli

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