Problema no motor pode ter causado a queda de ultraleve
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terça-feira, 09 de setembro de 1997
Das agências Ribeirão Preto 
Um problema no motor do ultraleve usado por Emerson Fittipaldi é a principal hipótese de causa do acidente que vitimou o piloto e seu filho, Luca, no domingo, em Boa Esperança do Sul, região de Araraquara, interior de São Paulo. A possibilidade é levantada pelo próprio fabricante e reforçada por policiais que fizeram o resgate. As investigações não descartam, porém, outras alternativas, que devem ser esclarecidas pelo próprio Emerson.
O piloto deveria deixar São Paulo ontem à noite, em um vôo da Varig, chegando a Miami hoje, por volta das 8 horas (de Brasília). Do aeroporto, seguirá direto para o Jackson Memorial Hospital. Ontem, Emerson fez um relato sobre a queda do ultraleve e como foram as horas que passou, com Luca, aguardando o resgate:
Quando eu levei o Luca para dar um passeio e ver as capivaras, eu tive um problema de comando, ele começou a puxar para a esquerda, eu tentei corrigir... Mas aconteceu alguma coisa, ele foi perdendo velocidade e veio de bico para o chão. Foi um impacto violento, e graças a Deus o Luca não se machucou, saiu logo de baixo das ferragens do avião.
O Luca realmente teve um comportamento fantástico, porque eu estava com uma perna imobilizada e não conseguia ficar de pé. Mas consegui ficar em cima da asa, e o Luca me ajudava muito. Acho que foi um momento muito importante, um momento em que a gente rezou muito, e eu falei para o Luca que papai do céu ia ouvir a gente.
O pior aperto que a gente teve foi a sede, porque durante o dia estava um calor muito grande. A gente bateu eram 13h03, então nós passamos praticamente aquelas próximas seis horas debaixo de um sol terrível.
Aí, quando escureceu, eu me conformei e tentei conformar o Luca. Eu falei: Luca, eu tenho certeza de que quando for 5h30, 6h, e clarear o dia, o helicóptero virá buscar a gente.
Eu, a cada 15, 20 minutos, dava uns gritos, para ver se alguém escutava a gente. Depois de mais ou menos umas duas horas, que foi o primeiro sinal de que alguém ouviu a gente, eu dei um grito salve, salve, e aí eu escutei uma voz bem longe gritando Emerson, Emerson. Foi a primeira vez que eu tive contato. Aí eu falei: Luca, ouviram a gente.
A essa altura estava um frio terrível. Eu tinha arrumado um pedaço da asa do avião e cobri o Luca, mas eu estava realmente quase congelado. Para mim foi uma maravilha ouvir essa pessoa gritando meu nome, bem longe, mas dava
para ouvir.
Fizeram um trabalho heróico, porque chegar no ultraleve naquelas condições de terreno... Chegaram realmente na marra. É uma coisa que o povo brasileiro tem, que é essa garra de querer salvar, de querer ajudar o outro.
Realmente eu fiquei muito emocionado quando eles chegaram no ultraleve. Já eram quase 23h. O Luca ficou muito contente, gritou quando a gente viu o primeiro PM chegar do lado do avião. Ele já pegou o Luca no colo,
deu um abraço, esquentou o Luca.
Eu só tenho a agradecer à PM, ao pessoal da Polícia Civil de Araraquara. O Corpo de Bombeiros também foi excelente. Eu sabia que estava com as costas ruins, a perna muito ruim, e eles
conseguiram, com todo esse problema, levar uma maca até o avião.
Eu estou indo hoje para Miami. Todos aqui sabem que o doctor Green, que me operou no ano passado a coluna, é amigo meu pessoal há muitos anos e, por coincidência, eu estou voltando um ano depois lá com outra vértebra
quebrada.
Graças a Deus foi um susto e deu tudo certo. Eu acho que vai criar uma amizade muito grande entre o Luca e eu. Foi uma experiência e uma aventura única na vida, e a todo mundo que participou dessa operação de resgate eu só tenho que agradecer, e muito.


