Washington, 27 (AE) - O perigo para o Brasil não é enfrentar uma crise nos próximos dois meses, mas continuar tendo um desempenho medíocre. Esta foi a avaliação feita pelo professor de economia da Universidade de Chicago, José Scheinkman, a 12ª Conferência Anual sobre Economia Brasileira, em Washington. Ele ressaltou alguns pontos que mais entravam o crescimento brasileiro: muito baixo investimento, baixo nível de educação, baixa produtividade e falta de integração no mundo.
Segundo o professor, entre 1990 e 1997 a média de investimentos na China e na Coréia foi de 35% do PIB. No Chile, 25%. E, no Brasil, menos de 20%. "Nós estamos pelo menos 7 pontos abaixo do ideal", afirmou. Em 98, a poupança brasileira em relação ao PIB ficou em 15%, um número que deveria estar perto de 20%, segundo Scheinkman. "O governo está contribuindo negativamente para o nível de poupança, com uma queda prevista de 4% este ano. Esse é um quadro que precisa ser revertido", afirmou. Em relação ao nível de educação dos brasileiros, Scheinkman disse que em média os adultos brasileiros tiveram quatro anos de escolaridade, enquanto trabalhadores de Hong Kong e Argentina, tiveram oito, e a Coréia, novee. O número de trabalhadores que tiveram menos de oito anos de escolaridade caiu na Coréia de 80% em 1960 para 20% em 1996. No Brasil, esta queda foi apenas de 93% para 80%.
Scheinkman afirmou que esses números poderiam levar a pensar que o Brasil não está gastando muito em educação. Mas o País gastou, em 95, 5,5% do PIB no setor, muito mais do que os 3 5% da Coréia e 3% da Argentina. "O que está acontecendo é que o Brasil está gastando muito mais no ensino superior. O ensino primário e o secundário está recebendo apenas 55% do total dos investimentos, muito menos que os 79% destinados pela Coréia para o primeiro e segundo graus", afirmou. Além disso, a Coréia tem menos crianças e maior PIB per capita, gasta três vezes mais do que o Brasil.
O professor da Universidade de Chicago disse ainda que o Brasil precisa andar muito para melhorar o nível de produtividade de suas empresas. Segundo ele, uma empresa brasileira produz menos que 3/4 do que produz uma empresa americana. "Nós encorajamos a informalidade, o que é muito menos competitivo", disse ele. Como último ponto de necessidade de mudança no cenário brasileiro, Scheinkman lembrou a pouca abertura do País ao comércio mundial. De acordo com ele, a soma das exportações e importações do Brasil em 98 representaram 17% do PIB, uma cifra bem menor que os 20% da Argentina, de 80% da Coréia e 23% dos EUA.

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