Pro-Água terá US$ 198 milhões do Bird
FHC assina convênio para desencadear obras que chamou de ‘‘preliminares’’ à transposição do rio São Francisco
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender ontem a realização das obras de transposição do rio São Francisco, projeto antigo do governo para levar água a diversos estados do Nordeste. Para ampliar a rede de distribuição de água nas regiões afetadas pela seca, o presidente assinou convênio com o Banco Mundial (Bird) para um empréstimo de US$ 198 milhões destinado ao Pro-Água. ‘‘Quem sabe seja possível começar agora, na estiagem, pelo menos certas obras preliminares, numa antecipação do que possa vir a ser o futuro’’, afirmou.
Lembrando que as licitações públicas para o início das obras do São Francisco já foram feitas, o presidente mandou um recado aos adversários do projeto: o governo observará todos os cuidados com o meio ambiente para evitar efeitos negativos. O impacto ambiental da transposição do São Francisco é o argumento mais usado, tanto pelos governadores dos estados envolvidos quanto por alguns políticos da região - entre eles o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) - para rejeitar o projeto que vai democratizar o acesso aos recursos hídricos dessa bacia.
O financiamento do Bird será destinado ao programa Pro-Água, pelo qual o governo federal ajudará os estados na construção de adutoras para ampliar a distribuição de água. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, a primeira etapa do projeto demandará US$ 330 milhões. ‘‘O cronograma estende-se até o ano de 2010 e envolve US$ 1 bilhão em investimentos’’, disse o ministro. O Pro-Água prevê a construção de dois mil quilômetros de adutoras nos 10 estados da região Semi-árida brasileira, beneficiando mais de 1,3 milhão de pessoas.
O presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou as dificuldades para obter o financiamento, negociado durante três anos.
O governo começará em julho a distribuir cestas básicas na periferia das cidades atingidas pela seca no Nordeste, uma forma de frear o avanço do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na zona urbana. No mês passado, o MST saqueou caminhões de alimentos na BR-428, no Vale do São Francisco, e repartiu a carga com moradores de bairros pobres de cidades pernambucanas. De acordo com o superintendente da Sudene, Sérgio Moreira, o governo pretende iniciar na próxima semana as primeiras frentes produtivas, mesmo sem saber, ainda, de onde virá a verba para pagar os trabalhadores.
Na primeira etapa o governo quer atender mais de 695 mil famílias, ultrapassando dois milhões de cestas distribuídas em áreas urbana e rural de 1.236 municípios, afirma Moreira. Ele não reconhece, mas as medidas adotadas pelo governo vão atingir principalmente as regiões onde o MST centraliza as ações, como o Vale do São Francisco, Zona da Mata e área central do Estado de Pernambuco.
No governo já havia a preocupação de que o atendimento à população da zona rural causaria tensão na periferia dos municípios nordestinos. ‘‘Hoje a Sudene está atendendo mais de 695 mil famílias e a Comunidade Solidária e o Prodea (Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos) outras 683 mil’’, disse Moreira. ‘‘No próximo mês, vamos tirar a Sudene da distribuição e repassar o trabalho todo ao Prodea, que vai aumentar em 1,3 milhão o número de cestas’’, informa o superintendente da Sudene. Ele confirma que metade do volume será para a zona urbana.

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