São Paulo, 1 (AE) - O governo pretende arrecadar R$ 20,3 bilhões com as privatizações no próximo ano. A informação foi dada hoje pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, em teleconferência para investidores estrangeiros, realizada com apoio do banco Warburg Dillon Read. Na conta de 1999, Amadeo ainda incluiu Banespa e Furnas, mas admitiu que o processo está atrasado e a venda pode ficar para o início do próximo ano.
Na avaliação de economistas que acompanham o programa de privatizações, a previsão para 2000 está jogando a venda do Banespa e do primeiro bloco de Furnas para o próximo ano. Por isso, a previsão de uma receita de R$ 12,9 milhões para 1999 - também feita ontem por Amadeo na teleconferência - não deve ser concretizada.
O valor de R$ 12,9 bilhões já é um pouco inferior ao total de R$ 13,2 bilhões que consta da última revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), feita em junho. Já naquela ocasião, o governo havia reduzido o valor estimado para 1999 em 52%, pois a primeira versão do acordo considerava receitas totais de R$ 27,8 bilhões em 1999.
Na teleconferência, Amadeo explicou que os recursos de 2000 serão obtidos com a venda de Furnas (segunda parte), Chesf, Eletronorte e com a oferta de ações remanescentes da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e ações da Petrobrás que não compõem o controle acionário. Também constam deste cálculo parcelas da privatização do setor de telecomunicações, que ainda serão pagas.
Esta conta de privatização, explica a consultora Denise de Pasqual, da Tendências Consultoria Integrada, considera o valor que entra nos cofres públicos para abater dívida pública. No primeiro semestre deste ano, entraram R$ 5,0 bilhões - a previsão inicial era R$ 5,2 bilhões.
Denise ainda espera que entrem R$ 2 bilhões em vendas de empresas estaduais e mais R$ 1,6 bilhões em parcelas da privatização da telefonia este ano. "Mas há um número aberto de R$ 4,5 bilhões no programa federal", observa a consultora.
Este valor, diz, deveria ser coberto pela venda do Banespa, do primeiro bloco de Furnas e de ações remanescentes da Light. "Sem essas vendas, o valor de 1999 não chega aos R$ 12,9 bilhões apresentados pelo secretário", diz ela.
Na avaliação de Denise, a conta de R$ 20,3 bilhões do ano 2000 inclui Banespa, os dois blocos de Furnas e as ações de Light, além das empresas e blocos de ações listados porAmadeo para os investidores estrangeiros. "É dificil chegar neste valor sem o banco e sem toda a venda de Furnas", acrescenta.
Para o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, tambpem considera impossível que Furnas e Banespa ainda sejam vendidas este ano. Nas projeções do banco, a privatização do próximo ano deve somar US$ 21,5 bilhões.
Este número considera o valor de venda e por isso ele é maior que o do governo - que está expresso em reais porque considera apenas a parcela que a cada ano realmente entra nos cofres do governo. "Mas já estamos colocando Banespa e Furnas nesta conta de 2000", observou Kawall.
Por isso, ele também acredita que as receitas com privatizações em 1999 vão ficar abaixo do valor previsto pelo governo na última revisão do acordo com o FMI.

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