Privatização vai afetar removidos
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
A onda de privatização que varreu o setor elétrico nos últimos anos vem causando preocupação no Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), entidade criada na década de 80 para defender o direito das famílias removidas de áreas alagadas pelos reservatórios das usinas hidrelétricas.
Segundo a entidade, a nova configuração de poder no setor pode piorar o drama social provocado pela construção de novas usinas. De acordo com a entidade, já estão aprovados 494 projetos de hidrelétricas, que resultarão na remoção de 1 milhão de pessoas.
''Já era difícil negociar com o poder público, imagine com a iniciativa privada, cuja única preocupação parece ser o lucro'', afirmou ontem à Folha Hélio Macca, membro da Executiva Nacional do MAB, que está em Londrina. Ele participa da 16 Romaria da Terra, que deverá reunir, no próximo final de semana, cerca de 30 mil pessoas em uma caravana entre São Jerônimo da Serra e Jataizinho (Norte do Estado). Ontem, dirigentes do MAB participaram de um seminário que discutiu o tema na Universidade Estadual de Londrina.
''Além da questão da privatização da água, que é gravíssima e nos preocupa muito a longo prazo, a falta de compromisso social destes grandes grupos privados já pode ser evidenciado em alguns exemplos concretos'', avalia Margaret Maran, uma das coordenadoras nacionais do MAB.
Macca lembra o caso de dois grandes projetos em Goiás Serra da Mesa e Cana Brava que provocaram a remoção de 2,6 mil famílias. ''Foram quase expulsos, com uma indenização irrisória. Oitenta por cento não receberam nem 20% do que deveriam.''
O MAB tem projeto para padronizar as ações de remoção e quer colocar o tema em debate no Congresso Nacional. ''Queremos apenas uma garantia na legislação destas pessoas sacrificadas em nome do progresso'', afirma Macca.
O primeiro ponto do documento é garantir o deslocamento das famílias antes da formação dos lagos. Os outros destaques da proposta é a garantia de escolha das áreas pelos removidos e a instalação de uma estrutura melhor do que dispunha a família em seu local de origem.
O MAB também defende a adoção de quatro medidas emergenciais para evitar o racionamento de energia elétrica e os eventuais apagões a redução das perdas na transmissão, a repotencialização das hidrelétricas com mais de 20 anos, o incentivo a construção imediatas de miniusinas e a ampliação da participação das biomassas na matriz energética.


