Privatização no Sul é desastrosa Edinelson Alves Especial para a Folha De Brasília A experiência de concessão de rodovias na região Sul tem sido tão desastrosa que os governos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão devolvendo alguns trechos das estradas federais para a União. A insatisfação de usuários e de municípios gaúchos e catarinenses tem reforçado o posicionamento dos governadores Olívio Dutra (RS) e Esperidião Amin (SC). Mesmo sendo o primeiro Estado a ter um trecho privatizado (1994), em Santa Catarina nenhuma praça de pedágio entrou em operação até hoje. Na rodovia pioneira no Brasil, os 35 quilômetros da SC-401, que ligam Florianópolis às praias do norte, a empresa Linha Auto Estrada Azul tentou cobrar pedágio a partir de 98, mas uma ação popular acatada pela Justiça até hoje não permitiu que as catracas entrassem em operação. Nos outros três trechos que interligam o interior catarinense as companhias também não tiveram sucesso. No trecho denominado Sistema Rodoviário da BR-470, que corta o Vale do Itajaí e se estende até a divisa do Rio Grande do Sul, num percurso de 486 quilômetros, o governo catarinense está devolvendo a responsabilidade para o governo federal. No Sistema Rodoviário Norte, trecho compreendido entre Mafra a São Francisco numa extensão de 345 quilômetros, o Estado recorreu e a questão será analisada pelo Tribunal de Contas, durante audiência pública no dia 10 de abril. Já os 112 quilômetros do Sistema Rodoviário Brusque, compreendidos por rodovias estaduais (SC-408, SC-411 e SCT-486) também deverão ser revistos. Apesar dos entraves, o governo catarinense, através da Secretaria de Transportes, informou não ser contra a privatização das rodovias. Mas observa que quer, primeiro, a melhoria das rodovias pela iniciativa privada para depois iniciar a cobrança do pedágio. No Rio Grande do Sul, a insatisfação dos usuários com relação ao serviço que vinha sendo prestado pela Ecosul (no pólo de pedágio de Pelotas, num trecho de aproximadamente 650 quilômetros) fez com que o governo devolvesse a concessão à União. ‘‘A concessionária não cumpriu suas obrigações na medida em que não realizou os investimentos previstos no contrato’’, disse o secretário dos Transportes do RS, Beto Albuquerque. ‘‘A situação de emergência, decretada diretamente pelos municípios prejudicados, foi um fator decisivo para que a rodovia fosse devolvida ao governo federal’’. O desempenho da privatização no Sul é tão insatisfatório que a União tem rejeitado qualquer outra transferência de responsabilidade para outros Estados. Ontem, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, reafirmou que acompanha de perto a situação. ‘‘Mas nós só poderemos intervir se não houver um pedido oficial de uma das partes, ou do Estado, que é o responsável conforme delegação recebida da União, ou das concessionárias’’, disse.