Privatização no saneamento depende de acordos, diz Perrone7/Mar, 9:46 Por Gustavo Alves Rio, 7 (AE) - A privatização do setor de saneamento só deverá andar com acordos entre os estados e municípios sobre quem detém o poder sobre o serviço, afirmou o ex-diretor de infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fernando Perrone. "Sem o acordo, o congresso não vota as leis sobre a questão", afirmou Perrone, que deixou o cargo no início deste ano, enquanto assistia aa Segunda noite do desfile das escolas de samba do Grupo Especial no Rio de Janeiro. A definição de quem pode conceder autorização para captação e distribuição de água é uma questão constitucional, lembrou Perrone. Mas o ponto pode ser superado por meio de entendimentos entre as duas partes, como já aconteceu na Bahia e em Pernambuco lembrou. Este entendimento é preciso para "dar velocidade" ao processo, por ter efeitos no Congresso Nacional - onde o Senado representa os estados, e a Câmara dos Deputados, os municípios, avaliou. Perrone admitiu que as eleições para prefeito neste ano, e governador daqui a dois anos, são mais um "complicador"do processo. "As duas partes têm um interesse grande em privatizar ou não", afirmou o ex-diretor do BNDES. Mesmo assim, a única saída para o serviço de saneamento é a privatização. "O Estado, no que compreende governo federael, município e estados, não tem recursos para investir a longo prazo", justificou. "A privatização do saneamento não é para o governo fazer caixa, mas para permitir investimentos e universalizar o sistema." Perrone advertiu que o governo terá de fazer um grande esforço para retomar as privatizações no mesmo ritmo de antes. Na sua análise, houve uma "barriga" no processo de desestatizações. "Isto transmitiu para a sociedade, e o Congresso é muito sensível a estes sinais, a impressão de que a privatização não é mais importante para o governo, o que não é verdade", declarou. "Nesta situação, os adversários do processo ganham força", avisou. O ex-diretor elogiou a escolha de Francisco Gros para a presidência do BNDES. "Ele é muito querido no banco, e vai dar ritmo ao banco", previu. Segundo Perrone, a questão da dívida do banco BFC com a instituição governamental pode se tornar um problema, se não for resolvida rapidamente. "Mas eu acredito que isso será resolvido brevemente", afirmou. Depois de quatro anos à frente do setor de apoio à infraestrutura do banco, Perrone agora tem de escolher se irá seguir carreira no setor público, em outra instituição, ou na iniciativa privada. A escolha envolve uma "administração complicada", afirmou. "Na área pública, o convite tem de Ter uma resposta breve, e na privada, há uma sondagem mais lenta", comparou. De fevereiro de 1996 a fevereiro deste ano, quando foi diretor do banco, Perrone calcula ter participado da liberação de financiamentos de US$ 20 bilhões para o setor de infra-estrutura. O volume foi 833% maior do que o liberado nos quatro anos anteriores de sua gestão, de US$ 2,8 bilhões. Este aumento, segundo ele, só foi possível à estabilidade econômica, aliada com o processo de privatizações no setor.