Rio, 01 (AE) - A privatização do IRB Brasil RE, o monopólio estatal de resseguros, não deve acontecer na data prevista (14 de outubro), acredita o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi. "Minha opinião é de que o leilão não vai ser realizado na data marcada porque ainda há discussões que não permitem manter o cronograma", disse. Caso se concretize o adiamento da venda do IRB, o cronograma de privatizações de estatais federais este ano contará apenas com a venda da Datamec, em junho, que rendeu R$ 84 milhões. No ano passado, apenas a privatização do Sistema Telebrás arrecadou R$ 22 bilhões.
Calabi não entrou em detalhes sobre o motivo do adiamento, mas o governo ainda não conseguiu concluir a regulamentação do setor de resseguros no País. "Quem se manifestará sobre isso é o presidente do CND (Conselho Nacional de Desestatização), o ministro Clóvis Carvalho (Desenvolvimento)", desconversou. "Ainda há discussões que não permitem manter a data da privatização." A próxima reunião do CND está marcada para o dia 9 de setembro, quando deve ser divulgado o dia do leilão.
Hoje, durante um encontro mundial para o desenvolvimento sustentável, no Rio, Calabi havia respondido, inicialmente, que a privatização havia sido adiada. Depois, afirmou que não sabia, para enfim dizer que era apenas a sua opinião. A venda do IRB estava marcada para o mês que vem, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). O preço mínimo para o lote de 95% das ações ordinárias foi fixado em R$ 437 milhões, e os 5% restantes serão oferecidos aos funcionários por R$ 3 milhões.
O governo federal não está conseguindo cumprir o programa de privatizações previsto para este ano. O Banespa, que deveria ser privatizado em dezembro, teve sua venda adiada novamente. A privatização de Furnas também só deve ocorrer no ano que vem, admitiu o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. A assembléia para decidir a cisão de Furnas em duas geradoras de energia e uma companhia de transmissão foi cancelada quatro vezes, impedindo que o governo cumpra a meta de arrecadar R$ 8 bilhões com a venda das geradoras este ano. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, também admite que a privatização das empresas oriundas da cisão da Eletronorte não acontecerá em 1999.
O governo arrecadou apenas R$ 1,065 bilhão com as privatizações federais este ano. Houve uma oferta de ações da Gerasul e do Sistema Telebrás aos empregados, a venda da Datamec
um leilão de ações e a venda da concessão das empresas-espelho da Tele Norte Leste, Embratel, Telesp e Tele Centro Sul, além da venda de 50,01% das ações da Eletronet, empresa de infovias da Eletrobrás, que já tem como sócia a Lightpar.
Saneamento - O presidente do BNDES afirmou, ainda, que o banco será um "agente provocador da aceleração das concessões de saneamento". Na segunda-feira, Calabi tem uma reunião com representantes do governo da Bahia para assinar um protocolo de contratação de consultores para fazer a avaliação e a modelagem de venda da Embasa, a companhia estadual de saneamento. "Hoje o processo de privatização do setor está lento por questões jurídicas, por causa da briga para decidir quem detém o poder sobre a concessão, Estados ou municípios", declarou. Por enquanto, o banco trabalha nos editais da Embasa, da Cesan (ES) e da Compesa (PE).

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