Privatização do BB só sai depois de 2004, diz Calabi
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 10 (AE) - O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, admitiu hoje que a privatização do banco é algo possível, mas que só deverá ocorrer a partir de 2004. "Só quando estiver amadurecido o mercado financeiro, em cinco ou dez anos", disse Calabi.
Por enquanto, ele afirmou que a transferência do banco para a iniciativa privada é inviável, pois o governo não pode abrir mão de um "braço próprio no mercado financeiro", como por exemplo,para operações como pagamento da folha de pessoal e distribuição de recursos para saúde.
Calabi afirmou também que não pretende privatizar este ano a Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BBDTVM). A venda da subsidiária do banco, segundo ele, tem de ser pensada na âmbito das estratégias de longo prazo da instituição. "Talvez o momento não seja este", afirmou.
O presidente do Banco do Brasil admitiu que se for decidida, a privatização poderia até ocorrer em 1999. Faltaria apenas decisão política do governo. "O projeto está avançado, o banco JP Morgan concluiu seu relatório da modelagem e, portanto, é só questão de decidir".
Em vez de privatizar a BBDTVM, Calabi sugere que seja introduzida na subsidiária um novo modelo de parceria do Banco do Brasil com as instituições privadas. "Temos novos mecanismos surgindo de gestão das parcelas das carteiras para efeito de conquista de mercado", adiantou.
A idéia que está sendo avaliada pela direção do banco é promover contratos de gestão com instituições privadas para determinadas carteiras da BBDTVM. "Se traz todos os benefícios da tecnologia e do conhecimento de grandes instituições gestoras de ativos sem necessidade de vender a distribuidora", afirmou Calabi.
A venda da distribuidora do Banco do Brasil, a maior do País e com patrimônio de R$ 30 bilhões, estaria também condicionada a uma possível venda do Banco do Brasil. "Se de fato se levar em conta a privatização do banco em cinco ou dez anos como uma alternativa viável, isto pode dizer algo em relação à privatização da BBDTVM", afirmou.
Na opinião do presidente do BB, o valor de privatização banco pode ser depreciado caso a venda da distribuidora seja feita separadamente. Além disso, privatizar a distribuidora agora pode ser um erro, pela conjuntura econômica desfavorável. "Pode-se vender mal a DTVM", resumiu Calabi.
Calabi considera viável a racionalização das atividades das instituições federais. "O que conseguirmos racionalizar e reduzir custos, melhor", disse ele. Ele citou a especialização das atividades de habitação e saneamento na Caixa Econômica Federal, projetos na Região Nordeste no Banco do Nordeste.
No Banco do Brasil poderiam se concentrar as ações oficiais de banco comercial, financiamento à agricultura, pequena e média indústria e exportação. "Assim, nós estaremos evitando a duplicação de ações nos bancos oficiais", disse Calabi.


