Brasília, 26 (AE) - O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, reconheceu hoje que não há mais tempo para privatizar a Furnas este ano. "Fica transferida para 2000", disse. O governo não tem mais entraves jurídicos para privatizar a Furnas, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu a liminar do Tribunal Regional Federal do Rio que impedia a divisão da parte nuclear da estatal.
A liminar impedia a realização da Assembléia Geral Extraordinária (AGE) de Furnas, que decidiria sobre a sua divisão em duas empresas: uma de produção e outra de transmissão de energia. Sem a separação formal de sua parte nuclear, que continuará estatal, não será possível privatizar Furnas.
A parte nuclear de Furnas foi dividida em 1996, levando a criação da Eletronuclear, que passou a ser subsidiária da Eletrobrás. Em maio, o desembargador Chalub Barbosa, da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal do Rio, concedeu liminar que suspendeu a divisão.
O Ministério Público do Rio contesta, em ação civil pública, a separação da empresa alegando que a Eletronuclear não teria recursos próprios para se manter. O governo quer alterar a forma de desestatização em vigor, incluindo, desta vez, a venda pulverizada de ações para atrair pequenos investidores. O modelo atual inclui apenas a venda em bloco do controle acionário.
Segundo o ministro, a próxima etapa da privatização do setor elétrico vai envolver a área de transmissão, até agora integralmente nas mãos do Estado. "A privatização é uma necessidade" afirmou.
De acordo com Tourinho, ainda este ano será licitada a instalação de 5 quilômetros de linha de transmissão em todo o País. Na última etapa do processo, será privatizado até o parque de transmissão instalado, assegurou o ministro, sem precisar quanto tempo será necessário para isso.

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