Rio, 01 (AE) - O cronograma das privatizações do setor de saneamento, de responsabilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sofrerá atrasos. As licitações da Compesa, de Pernambuco, e Embasa, da Bahia, esperadas para junho ou julho, não sairão antes de setembro.
A Caern, do Rio Grande do Norte, com a qual o banco acabou de assinar o contrato de gestão da venda, deve passar à iniciativa privada no primeiro trimestre de 2001. Em 4 de abril, com atraso de 15 dias, está marcada a venda da companhia de Manaus, subsidiária da empresa de saneamento do Amazonas, cujo processo não é administrado pelo BNDES.
A superintendente de serviços de privatização do banco, Estela Palombo, explicou que é demorado o processo para escolha das consultorias que farão a modelagem do leilão, com definição de preço mínimo e metas de investimento, por exemplo. "Muita gente está interessada, porque o processo no setor é novo e todos querem pegar experiência para estarem qualificados para as próximas privatizações".
Um dos interessados em comprar empresas de saneamento nos leilões é o grupo de fundos CVC/Opportunity, com patrimônio de R$ 1,1 bilhão. Os fundos estarão com a francesa Vivendi, um dos maiores grupos do mundo no setor de águas, para disputar as privatizações. O interesse em cada uma das empresas vai depender do preço mínimo. "O que tiver de ser gasto na compra é que vai determinar o investimento", explicou a diretora do CVC/Opportunity, Maria Amalia Coutrim. "Os estrangeiros, quando entram em um negócio no Brasil, esperam retorno de pelo menos 18% acima da inflação".
O BNDES já avisou que o objetivo não é incentivar o ágio
para garantir os investimentos futuros. O negócio de saneamento é atrativo, avalia a executiva, exatamente porque há muito por fazer. "Essa demanda grande pelo serviço é uma garantia contra variações do PIB (Produto Interno Bruto)", disse. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu) estima que serão necessários R$ 3,2 bilhões por ano, até 2010, para recuperar a capacidade do setor. Com isso, o faturamento das 27 companhias estaduais, de R$ 8 bilhões em 1998, pode pular para R$ 15 bilhões.