Rio, 03 (AE) - O presidente da Cedae, Alberto José Mendes Gomes, alertou hoje que a privatização de parte dos serviços da empresa pode inviabilizar a execução do programa de despoluição da Baia da Guanabara. Segundo ele, a prefeitura ofereceu apenas áreas nobres no edital de concessão divulgado hoje, deixando de fora regiões carentes, como a Zona Norte do Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense.
Gomes argumentou que o governo não terá como bancar os R$ 55 milhões exigidos como contrapartida para que o Banco Interamericano de Desenvolimento (BID) e instituições japonesas continuem a financiar o projeto de despoluição no próximo ano. Segundo ele, os recursos arrecadados com os serviços prestados do Leme a Santa Cruz são fundamentais para completar o orçamento da Cedae.
A arrecadação do trecho colocado para concessão é de R$ 36 milhões e a empresa calcula que nos próximos cinco anos possa subir para R$ 80 milhões. "Sem o pagamento pelos serviços no Leme ou na Barra fica difícil continuar distribuindo água e esgoto para regiões carentes, como o morro da formiga", explicou.
O presidente da Cedae informou que pretende solicitar uma audiência com o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, ainda esta semana para discutir o assunto. Ele destacou que água será um insumo estratégico no século XXI, como foi o petróleo neste século. "O Brasil tem 20% da água do mundo, não podemos correr o risco de colocar isso nas mãos de empresas estrangeiras." Já o secretário estadual de saneamento, Alexandre Cardoso, tem planos de levar o caso para a Justiça. Cardoso, que preside o PSB no Rio, informou que seu partido vai ingressar amanhã com um mandado de segurança e um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) propondo a suspensão do processo de licitação. "A matéria ainda está sub-judice, o STF não se pronunciou sobre a constitucionalidade do processo de licitação", afirmou Cardoso. "A prefeitura não pode vender aquilo que não sabe se é seu", argumentou.
O secretário explicou ainda que a lei que criou a Região Metropolitana no Rio de Janeiro dá ao governo estadual o poder concendente para explorar os serviços de água e esgoto na região.
O prefeito Luiz Paulo Conde ainda espera um entendimento com o governador Anthony Garotinho. Segundo ele, Garotinho ficou de procurá-lo, para que juntos passam buscar uma solução para a polêmica criada em torno da terceirização das redes de água e esgoto. "Não há nenhum problema entre o Conde e o governador", respondeu Conde. "Somos pessoas que buscam o entendimento."

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