Privatização apenas conteve crescimento da dívida
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti e Vânia Cristino 
Brasília, 12 (AE) - A privatização apenas ajudou a segurar uma expansão ainda maior do endividamento do País nos últimos anos. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, de dezembro de 1995 até novembro passado
a venda do patrimônio público da União, Estados e municípios gerou R$ 30,650 bilhões para o abatimento da dívida - de um total de cerca de R$ 85 bilhões das receitas acumuladas pelo programa de desestatização.
Lopes não soube explicar o que foi feito com a diferença entre a receita total obtida e o montante utilizado para abater dívidas. O ingresso de recursos da privatização para abater dívida (R$ 30,650 bilhões), no entanto, foi insuficiente para cobrir os passivos assumidos pelo governo federal.
No mesmo período, o total de "esqueletos" que o governo federal "retirou do armário" - dívidas para com vários setores, inclusive estatais, que não eram reconhecidas e nem contabilizadas nas estatísticas oficiais - foi de R$ 36,337 bilhões. Ou seja, os débitos incorporados no saldo da dívida pública ficaram R$ 5,687 bilhões acima das receitas da privatização utilizadas para abater a dívida.
Entre esses passivos, estão débitos do Tesouro Nacional para com o Banco do Brasil e a securitização de dívidas do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS).


