Prisão provoca constrangimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 14 (AE) - A banda de música guardou os instrumentos e desceu as escadarias do Palácio das Indústrias. Os convidados, centenas deles, olhavam atônitos para os lados, procurando saber o motivo do cancelamento da posse de Marco Aurélio de Oliveira Abreu, prevista para as 11 horas de hoje. "Força maior", explicou o chefe do cerimonial.
Mas os boatos sobre a prisão já circulavam entre os mais bem-informados no Salão Azul, rigorosamente arrumado para a cerimônia, e despertavam risos e choros nos presentes. "Essa é inédita", dissse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). Próximo dele, o pai do secretário, o político Dorival de Abreu (PTN), deixava transparecer a tristeza e as lágrimas contidas. "Foi tudo armação", disse mais tarde.
O prefeito esquivou-se. Não apareceu, deixando para seus assessores e políticos aliados a tarefa de colocar panos quentes. Mas nada conseguiu amenizar o choque causado pela inconveniente prisão. Além da movimentação e dos inevitáveis comentários, outros detalhes contribuíram para deixar ainda pior o clima na sede do Executivo - cujos representantes presentes estavam visivelmente abalados com o golpe sofrido.
A banda da Guarda Civil Metropolitana ensaiava acordes da música "Nada Mais" - ... vão dizer que são tolices, que podemos ser felizes ... - quando foi interrompida para o anúncio do cancelamento da cerimônia. A notícia da prisão caiu como uma bomba na Prefeitura. Secretários e vereadores governistas tentavam, no início, tratar o fato como corriqueiro. Mas depois assumiam que a atual administração perdeu importantes - e talvez irreversíveis - pontos.
A preocupação era tanta que alguns parlamentares, como o líder do governo na Câmara, Cosme Lopes (PPB), visitaram o Palácio após o escândalo, chegando por volta do meio-dia. Archibaldo Zancra, do mesmo partido, chegou mais tarde ainda e não quis comentar o assunto. Dito Salim (PPB) e Osvaldo Enéas (Prona) eram presença constante no salão principal. Os secretários da Sáude e das Finanças, Jorge Roberto Pagura e Denis Ferreira, deixaram o palácio após as 13 horas.
O também pepebista Wadih Mutran, que assistiu a tudo, tentou convencer os jornalistas de que Abreu havia sofrido um acidente de carro. "Ah, é mesmo, ele foi preso", disse, depois de questionado. "Mas isso não interfere na indicação do prefeito, que fez uma escolha partidária."


