Prisão por desvio de verbas da saúde
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um assessor da Prefeitura de Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e dois sócios de um hospital particular da cidade foram presos ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acusados de participar de um esquema de desvio de verbas do município.
Segundo o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, existem diversas evidências de que particulares teriam sido beneficiados por um convênio celebrado entre a prefeitura e o Hospital Nossa Senhora da Conceição, que recebia mensalmente R$ 240 mil pela prestação de serviços médicos. A investigação apontou que o dinheiro pago pelos atendimentos era usado para pagar dívidas do hospital, que foi adquirido pelo enfermeiro Cláudio Camilo e Suelen Maria da Cruz em 2007. Segundo Batisti, eles não teriam condições financeiras para comprar o hospital, que somente em dívidas acumulava um passivo de cerca de R$ 1,7 milhão.
Os indícios levam a crer que Camilo e Suelen utilizavam parte dos recursos pagos pelo município para quitar a dívida do hospital. O assessor Sandro Miguel Mendes seria responsável por intermediar o esquema dentro da prefeitura, fazendo com que o valor pago pelos atendimentos saltasse de R$ 100 mil, em 2005, para R$ 240 mil em 2007. Qual a justificativa para esse aumento?, questiona Batisti.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em diversos locais, entre eles a casa dos acusados, a prefeitura e o hospital. A juíza Inês Zarpelon, da comarca de Almirante Tamandaré, ordenou também que a prefeitura suspenda os repasses de verbas para a empresa Camilo e Cruz Ltda, responsável pelo hospital.
O prefeito Vilson Goinski (PMDB) considerou a decisão da juíza um absurdo, pois compromete cerca de 10 mil atendimentos por mês que são feitos no hospital. Ele afirmou que irá realizar a contratação emergencial de mais médicos para atender a demanda da população. O Judiciário fecha eu abro de novo, desafiou.
De acordo com Batisti, existe a possibilidade de outras pessoas serem presas e denunciadas no correr da investigação. Camilo, Suelen e Sandro foram encaminhados ontem para a carceragem da Delegacia de Campo Margro, na RMC.


