Prisão perpétua para estuprador de bebê
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de julho de 2002
France Presse 
Upington, África do Sul - Um tribunal de Upington condenou ontem à prisão perpétua David Potsie, 23 anos, por ter estuprado um bebê do sexo feminino de 9 meses, um crime que traumatizou a África do Sul e abriu o debate sobre a onipresente violência sexual no país.
O julgamento, que se realizou esta semana, desenhou um terrível panorama de miséria material e afetiva, alcoolismo, violência entre casais e ex-casais, que deu como resultado que uma mãe de 17 anos deixasse sozinho um bebê para ir a um bar, encontrando depois a menina ensanguentada quando voltava.
O bebê, chamado de Tshepang (''ten esperança'', em língua tswana) para preservar seu anonimato, teve de ser submetido a várias operações para reparar seus órgãos internos. Recuperou-se bem e, segundo seus médicos, poderá ser mãe quando atingir a idade certa.
A mãe de Tshepang explicou à Corte que vivia atemorizada por Potse, com quem manteve uma relação pouco depois do nascimento do bebê. Quando romperam, afirmou, ''me disse que algum dia me aconteceria algo que me faria lamentar tê-lo abandonado. Disse isso seriamente. Sua cara expressava sua cólera''.
David Potse foi detido em março a 800 km de Louisvale, onde cometeu o crime.
Segundo os policiais que depuseram ante o Alto Tribunal de Upington, o DNA de Potse coincide sem dúvida com o do homem que estuprou e sodomizou Tshepang. Mais de 50 homens de Louisvale, uma comunidade rural pobre da província do Cabo Norte, se submeteram aos exames.
O juiz Hennie La Kock, ao ler a sentença, disse a Potse que merecia a pena de morte, abolida na África do Sul com a queda do apartheid. O magistrado o condenou à prisão perpétua, mais uma pena de 18 anos por atentado ao pudor, informou a rádio estatal SABC.
A violação de Tshepang causou estupor na África do Sul e provocou uma onda de debates na imprensa e em meios políticos, incluindo reclamações para a reinstauração da pena de morte ou a castração dos estupradores, num país em que são cometidos a cada ano 21 mil estupros ou agressões de caráter sexual a menores.


