Prisão na Criminalística foi 'intriga', afirma advogado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O advogado Cláudio Dalledone Júnior, representante do ex-diretor geral do Instituto de Criminalística (IC) do Paraná, Ari Ferreira Fontana, e do ex-chefe da Divisão Técnica do Interior do IC, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, disse ontem que seus clientes estão sendo vítimas de intriga. Fontana e Oliveira Filho foram presos na terça-feira, suspeitos de coordenar um esquema de corrupção no IC de Cascavel e de Guarapuava.
Dalledone argumentou que foi Fontana quem pediu investigações sobre o esquema de laudos falsos e cobrança de propina na perícia de veículos. Segundo o advogado, no final de 2003 o ex-diretor geral do IC encontrou na instituição um protocolo que estava abandonado há oito meses. No documento, um delegado da Polícia Civil requisitava providências sobre supostas fraudes no IC.
''Fontana pediu providências à Promotoria de Investigação Criminal (PIC) e abriu inquérito administrativo. Dois peritos de Cascavel que participavam do esquema foram afastados e transferidos para o IC de Guarapuava, sob a instrução de que ambos não deveriam fazer perícia em veículos. O inquérito foi enviado à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), que absolveu os peritos'', disse Dalledone.
O advogado apontou que depois disso as ações criminosas continuaram no IC. Segundo Dalledone, peritos que participavam do esquema, ressentidos, começaram a enviar para os órgãos de investigação correspondências anônimas nas quais alegavam que Fontana participava dos crimes. ''Em maio de 2005, Fontana enviou ofício à PIC para informar que o esquema continuava e que várias ações estavam sendo movidas contra o Estado devido às práticas criminosas'', afirmou Dalledone.
Ele disse que Oliveira Filho auxiliou Fontana nas providências contra a suposta quadrilha. Dalledone argumentou ainda que o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, deu vazão às denúncias anônimas contra o ex-diretor geral do IC porque é inimigo de Fontana e queria tirá-lo do cargo. ''Ele (Fontana) é mais um inimigo de Delazari que acaba preso'', comentou o advogado.
A assessoria da Sesp informou que Delazari não iria se pronunciar sobre os comentários de Dalledone. Através de resolução, o secretário nomeou ontem o perito criminal de 1 classe, Carlos Roberto Martins de Lima, lotado na Sesp como assistente da diretoria-geral, como interventor oficial no IC.


