São Paulo, 14 (AE) - Motivo de chacota para a oposição e de constrangimento para os aliados do prefeito Celso Pitta (PTN). Assim repercutiu na Câmara a prisão de Marco Aurélio Oliveira Abreu. O episódio só serviu para uma coisa: tornar Pitta ainda mais fraco na Casa. "Qualquer gerência de qualquer empresa faz análise de currículo, enquanto ele estava entregando uma secretaria de peso (da Administração) sem fazer esse tipo de avaliação", destacou Aldaíza Sposati, líder do PT. Ela entende que a prisão só reforça o pouco caso com que Pitta trata São Paulo. "Demonstra realmente que o prefeito não tem controle de seu secretariado", considerou o líder do PSDB, Dalton Silvano.
Para o vereador Rubens Calvo, líder do PSB, um episódio desses mancha ainda mais a imagem do prefeito. "Mesmo sendo de ordem pessoal, todo homem público deveria apresentar ficha limpa", considerou. "É claro que ele não devia saber disso; se soubesse não passaria por esse vexame."
Constrangimento - A base de sustentação do governo estava constrangida. "Queríamos um secretário que não trouxesse mais problemas para a Prefeitura", disse o líder do PTB, José Silva Amorim. Apesar da saia-justa, Wadih Mutran (PPB) suspeita da forma como a prisão foi conduzida. Para ele, o delegado Romeu Tuma Júnior não precisava prender Abreu justamente no dia da posse. "Pelo que tomei conhecimento, a prisão foi decretada no dia 23 de setembro e ele (Abreu) tem residência fixa."
Para evitar problemas como esse no futuro, Mutran entrou hoje com um projeto para alterar a lei do funcionalismo público. Pelo projeto, funcionários de todos os escalões deverão apresentar fichas de antecedentes criminais e cíveis.
Viviani Ferraz (PL) definiu o episódio como "acidente de percurso". Disse que o prefeito não tinha como mandar pesquisar o passado de Abreu e acredita que era obrigação da polícia avisá-lo que sua escolha era equivocada. "O novo secretário já era conhecido por todos havia uma semana e foi apresentado ao prefeito como um ótimo administrador de empresas." No entender do vereador Brasil Vita (PPB), a responsabilidade deve recair sobre o PTN, o novo partido de Pitta, que indicou Abreu.
Hoje deixaram de ser votados os projetos de lei do Rodoanel e do pedágio, que estavam na pauta. O Rodoanel deixou de ser votado porque não teve os 28 votos necessários para sua aprovação. Quanto ao pedágio, só vai a votação depois da próxima audiência pública.

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