Colombianos, peruanos, brasileiros, libaneses, japoneses e até gregos: a pequena prisão de Tabatinga possui uma das listas de presos mais ecléticas do País, composta por 40 homens que só têm em comum a condenação por tráfico de drogas.
Depois de cinco anos sem encontrar trabalho, viúvo e com dois filhos para sustentar, o colombiano Mauricio acabou cedendo à maneira fácil de ganhar dinheiro dos seus conhecidos e começou a transportar cocaína de Bogotá até Manaus, capital da Amazônia brasileira, de onde embarcava para a Suíça.
‘‘Fiz isso três vezes. Minha desculpa era que ia de visita a Manaus ver a família, mas há um ano fui detido pela polícia federal em Tabatinga com um quilo de cocaína na maleta’’, conta no pátio da prisão desta cidade fronteiriça com a Colômbia.
Condenado a cinco anos de prisão, este ex-administrador de empresas de 46 anos não perdeu a distinção nas precárias celas, contempla sua vida com resignação e se diz uma vítima da pobreza que deixou a guerra civil padecida pela Colômbia há anos.
‘‘Ia receber US$ 5 mil por essa entrega, mas as coisas estavam ficando feias aqui, há muito mais controle do que antes’’, afirma, enquanto espera todo dia a visita do advogado trazendo notícias sobre uma redução da pena.
A situação dos colombianos e peruanos é melhor do que a do grego Stefanos, 38 anos, viciado em cocaína desde os 16, que foi preso quando tentava sair de Tabatinga com 450 gramas de droga para seu próprio consumo. Foi condenado a cinco anos de prisão em 1999 e sua família, com a qual perdeu o contato há anos, nem sabe que está preso no Brasil. (F.P)