Prisão de médico reduz procura por anorexígenos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A procura por medicamentos classificados como anorexígenos sofreu sensível queda de pelo menos 40% nas últimas semanas nas maiores redes de farmácias de manipulação de Londrina. A queda, segundo os farmacêuticos consultados, deve-se a uma maior cautela dos médicos que ou deixaram de prescrever tais medicamentos ou passaram a optar por formulações mais naturais e menos perigosas para seus pacientes.
Anonimamente, as farmácias confirmam que a queda na procura pelos emagrecedores se acentuou no início de abril, após a notícia da prisão do médico José Carlos da Rocha, que continua detido no 2º Distrito Policial. Ele responde processo por homicídio doloso por ter prescrito o uso simultâneo de anfetaminas, diuréticos e ansiolíticos para a vendedora Luciani Zanutto de Oliveira, 24 anos. A combinação, que é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anivsa), teria provocado a morte da paciente em agosto de 2001.
''Calculamos que houve uma queda entre 30% e 40% na procura por esses medicamentos'', destacou um profissional de uma grande rede da cidade. ''Os médicos passaram a receitar esses medicamentos com mais cautela. Estão usando outras formulações, mais naturais, menos concentradas e que oferecem menos risco à saúde dos pacientes'', destacou uma outra farmacêutica. Muitos médicos teriam, inclusive, parado de prescrever medicamentos para emagrecer.
Mas, segundo os farmacêuticos ouvidos pela Folha, alguns pacientes ainda não se conscientizaram dos riscos do uso de anorexígenos. ''As vezes, atendemos pacientes que ficam preocupados porque não estamos fazendo mais a combinação que o médico receitou e temem não encontrar mais para tomar'', revelou uma outra profissional.


