São Paulo, 24 (AE) - O promotor Gabriel Cesar Zaccaria De Inellas, do Serviço Auxiliar e de Informação (SAI), pediu no início da noite de hoje nova prisão temporária para a vereadora Maria Helena Pereira Fontes (PL), seu filho, o investigador Paulo Rogério Pereira Neme, e o delegado Airton Bicudo, de Campinas, por formação de quadrilha e coação de testemunha.
O pedido foi recebido pelo juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, da Divisão de Inquérito Policiais (Dipo), e será distribuido ainda hoje para um dos juízes da divisão, que tem 48 horas para decretar ou não a prisão dos três.
O pedido foi feito após o promotor Inellas ouvir o depoimento do ex-assessor de gabinete da vereadora A.C.S.. "O depoimento mostrou que ele e a família estão correndo risco de vida", disse o promotor Inellas.
A.C.S. e as ex-assessoras de gabinete da vereadora Maria Helena M.A.N. e A.C.G., que também testemunharam contra a vereadora, estão recebendo desde as primeiras horas de ontem proteção especial 24 horas por dia por policiais fortemente armados do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os ex-assessores estão escondidos em uma casa em São Paulo.
Sequestro - De acordo com o depoimento que A.C.S. prestou hoje à Justiça, no final de janeiro ele teria sido sequestrado por três pessoas e teria sido obrigado a telefonar de um celular para Marcela, ex-noiva de Neme. "Ele diz que foi obrigado a negar o depoimento que deu à força-tarefa (que investiga a máfia dos fiscais)", confirmou Inellas.
Já no início de fevereiro sua casa teria sofrido duas tentativas de arrombamento. Após esse fato, A.C.S. começou a receber telefonemas e bilhetes com ameças de morte. "Ele contou que o delegado Airton Bicudo apareceu em sua casa com duas mulheres em um automóvel particular da vereadora Maria Helena e ofereceu R$ 50 mil e documentos falsos para ele morar em outra cidade", afirmou o promotor Inellas. "Ele ainda teria que gravar um vídeo dizendo que forneceu depoimento à polícia sob coação."
A mãe de A.C.S., de 62 anos, confirmou ao Estado que no domingo seu filho recebeu uma proposta para mudar o depoimento contra a vereadora, prestado aos delegados e promotores que formam a força-tarefa que investiga a máfia dos fiscais. "Ou ele aceitava R$ 50 mil ou seria morto."
Segundo ela, o filho recusou a proposta. Na noite de segunda-feira, ele recebeu novos telefonemas ameaçadores. "Eles ligaram dizendo nós já recebemos R$ 3 mil da Maria Helena, que tá solta, para matar o ganso (informante da polícia)", afirmou ela. Apavorado, A.C.S. acionou a polícia e pediu proteção.
Inellas explicou que estão envolvidos na acusação um homem cuja alcunha é Bengala, Marcela, ex-noiva de Neme, e outras pessoas ainda não identificadas, "o que configura formação de quadrilha."
Liberdade - A vereadora Maria Helena saiu do 89º DP ontem, após o Tribunal de Justiça do Estado ter concedido a ela um hábeas-corpus. Ela estava presa desde o dia 21 de dezembro.
Após a vereadora ser colocada em liberdade, as ex-assessoras de gabinete M.A.N. e A.C.G. pediram proteção à polícia ou, disseram, não iriam mais prestar depoimento.
A.C.S deveria prestar depoimento ontem no Ministério Público Estadual, mas os promotores acreditaram que a vereadora poderia contestar o depoimento e, por isso, ele acabou depondo na Dipo. "Não haveria contestação por parte da vereadora", disse o promotor José Carlos Blat. (Colaborou Mauro Carvalho da Silva)

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