São Paulo, 05 (AE) - A apreensão de documentos realizada ontem (04) na casa da vereadora Maria Helena (PL) e sua prisão por porte ilegal de armas deve complicar ainda mais a situação da parlamentar, perante à polícia. Os delegados e promotores apreenderam uma série de documentos que revelam suposta ligação de Maria Helena em esquemas na Administração Regional da Freguesia do à e com o Serviço Funerário Municipal.
A vereadora foi presa no final da noite de ontem pelos delegados Romeu Tuma Júnior e Maurício Correalli, e foi encaminhada para o Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird), de onde foi liberada hoje por volta das 9 horas. Ela foi presa em flagrante porque não soube justificar as oito armas e um revólver de brinquedo apreendidos em sua residência, além de munições de vários calibres. Indiciada no artigo 10 da Lei 9.437, ela foi liberada após pagar uma fiança de R$ 200,00, que lhe garantiu a liberdade provisória no decorrer do inquérito policial aberto para o caso e do eventual processo. Na fase judicial, ela pode ser condenada de um a dois anos de prisão.
Documentos - Segundo policiais que participaram da operação, foram apreendidos documentos que podem comprovar uma série de irregularidades no gabinete da vereadora, como holerites e tíquetes de funcionários do gabinete, e anotações onde estariam anotadas as quantias mensais que as pessoas eram obrigadas a devolver de seus salários. Além disso, há vários papéis de pedidos da vereadora à Administração Regional da Freguesia do à e documentos que comprovariam a ligação de Maria Helena com supostos esquemas de propinas no Serviço Funerário Municipal.
Também foram apreendidos uma quantia em dinheiro, cujo valor não foi revelado, e até uma máquina de choques elétricos. "Todo o material será distribuído em pelo menos cinco inquéritos diferentes", disse o promotor Roberto Porto, que participou da operação. "É possível que seja esclarecido o suposto envolvimento da vereadora Maria Helena em esquemas na regional da Freguesia do à e no Serviço Funerário Municipal", completou o promotor. Em relação ao flagrante, Maria Helena se reservou no direito de falar apenas em juízo. Segundo os policiais, ela se manteve calma durante toda a madrugada. Recusou, porém, os lanches que foram oferecidos.
Na saída do Dird, hoje, Maria Helena afirmou que não podia ser considerada culpada, pois as armas eram de coleção e não funcionavam. A prisão em flagrante foi uma surpresa para os próprios policiais e promotores que investigam a máfia dos fiscais. A intenção inicial era realizar apenas uma apreensão de documentos na casa da parlamentar, na zona norte da capital. A apreensão foi motivada pelo depoimento de Maria Aparecida Nunes e Alessandra Maria Cruz Garcia, ex-funcionárias dos gabinetes de Maria Helena e Salim Curiati.
Nos depoimentos, cujo teor não foi revelado, elas teriam fornecido fortes indícios de envolvimento de Maria Helena em esquemas de propina e irregularidades administrativas em seu gabinete. Na próxima segunda-feira, a vereadora deverá prestar depoimento sobre a suposta tentativa de extorsão praticada pelo estelionatário Fabiano Sá de Lima, que foi preso pela polícia.

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