Prisão de Marcos Colli completa um ano
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina Há exatamente um ano, o ex-presidente do Partido Verde (PV) Marcos Colli era preso acusado de estupro de vulnerável e de filmar e fotografar crianças e adolescentes em poses sexuais e pornográficas. Desde então, o advogado e ex-assessor da Câmara Municipal de Londrina ocupa uma sala no 5º Batalhão da Polícia Militar. Colli é réu em quatro ações, que tramitam na 6ª Vara Criminal. Um quinto inquérito foi concluído pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e encaminhado ao Ministério Público (MP). No total, são 14 vítimas, todas meninas e menores de 14 anos.
Durante todos os depoimentos e audiências, Marcos Colli se manteve calado e a defesa usou de diversos artifícios para prorrogar a conclusão das ações criminais, como a indicação de testemunhas de fora de Londrina, além de faltar a algumas audiências. Se for condenado, Colli não terá mais o privilégio de permanecer em uma cela dentro de uma unidade de Estado Maior.
No início do mês, o Gaeco cumpriu mandado de busca e apreensão no escritório do advogado de defesa de Colli para recuperar os autos dos processos. A defesa retirou os documentos para fazer as considerações finais e, após dois meses, não os devolveu. Diante disso, a juíza Zilda Romero afastou Mateus Vergara da defesa de Colli e acionou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que indicou quatro advogados dativos. Somente após a apresentação das considerações finais é que a magistrada poderá proferir a sentença. Se for condenado, Colli pode pegar de 8 a 15 anos pelos crimes de estupro e de 4 a 8 pelas fotos e filmagens. O MP espera que as primeiras sentenças saiam no início de junho. "Diante das provas e da robustez de tudo que nós temos, a acusação tem certeza da condenação do réu", afirmou diversas vezes, desde o início das investigações, a promotora da Vara Maria da Penha, Susana Lacerda.
O presidente do Conselho Tutelar da Zona Sul, Mirko Bressanini, foi o primeiro conselheiro a receber as denúncias de abusos por parte de Marcos Colli. "Após ouvir a conversa das vítimas na escola, a professora informou a diretora, que revelou o caso ao padre da comunidade, que por sua vez orientou a mãe a nos procurar. Encaminhamos a denúncia à Polícia e ao Ministério Público", lembra. "Alguns dias depois recebemos outra denúncia parecida e as crianças confirmaram que estavam sendo molestadas pelo Colli. No começo, pela posição social do acusado, as pessoas demoraram a acreditar nos atos dele", relatou.
O conselheiro acrescenta que, apesar de não ter sido condenado, o fato de Colli estar preso traz a sensação que os abusos não vão passar em branco. "Com a divulgação deste caso, o número de denúncias aumentou e a população sente que algo vai acontecer com o acusado. Isso anima e encoraja as pessoas a denunciarem outros casos de abuso. As pessoas não têm aceitado mais essas situações", declarou. Só nos quatro primeiros meses deste ano, o Conselho da Zona Sul atendeu 1.774 denúncias, sendo 176 na zona rural, de maus-tratos, abusos e negligência.


