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Diego Singh

Policiais percorrem as ruas do Uberaba, local da chacina, e que agora é um dos três bairros mais violentos de Curitiba



Curitiba- A prisão dos autores da chacina, na Vila Icaraí, dentro do bairro Uberaba, ocorrida em Curitiba, no último sábado à noite, virou questão de honra para o governador Roberto Requião. Entre os oito assassinados estavam um bebê de cinco meses e sua mãe, de 29 anos. Em poucos minutos foram registrados no bairro mais homicídios que os ocorridos no mês inteiro. Em setembro deste ano, foram cinco assassinatos, três a mais do que em agosto. Esses números colocam o Uberaba entre os bairros mais violentos da Capital, ao lado da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e do Tatuquara, de acordo com o titular da Delegacia de Homicídio, Hamilton da Paz.

''É um número considerável de homicídios em um bairro'', comentou o delegado. Curitiba registrou 45 homicídios no mês de setembro. O delegado afirma ter solucionado 31 dos assassinatos citados.

Os nomes de dois sobreviventes da chacina não foram divulgados por segurança das vítimas. Eles serão ouvidos em breve. ''Foi um fato atípico, isolado'', garante o comandante do Policiamento da Capital, Jorge Costa Filho. Ele conta que as viaturas na região sempre circularam mesmo antes do crime do último final de semana. ''É algo que aconteceu e não dá pra dizer que, por isso, o bairro é uma região de alto risco'', alega.

Para o delegado, a chacina foi uma tentativa de demonstração de força que teve o efeito contrário, já que os olhos da polícia estariam, agora, voltados para a região. Alguns moradores ainda afirmam que o tiroteio foi uma resposta a desobediência do suposto toque de recolher imposto pelos traficantes. A versão é negada pela polícia. Foram três veículos circulando pelas ruas com homens atirando pelas janelas aleatoriamente.

Paz acredita que a suposta demonstração de força dos traficantes teria sido um revide pela morte do sobrinho de um dos suspeitos. O adolescente, conhecido por alguns delitos pela polícia, teria sido detido pela Delegacia do Adolescente e solto alguns dias depois pela Justiça. No retorno à Vila Icaraí, o rapaz teria sido executado por rivais.

''Acreditamos que eles nem sabiam que tinha uma mulher e uma criança dentro de um carro'', explica o delegado sobre a morte de uma mãe e de um bebê de cinco meses, enterrados ontem, em Tamarana (veja texto na página).

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público, está acompanhando as investigações.

Ontem à noite, o delegado Hamilton Paz anunciou a prisão de um dos suspeitos pela chacina, mas não revelou o nome. A FOLHA apurou que um dos suspeitos seria um homem conhecido como ''Nardão'' e, o outro, apelidado de ''Neguinho'', ambos traficantes do bairro. Neguinho teria sido preso por volta das 16h30 num bar em um bairro nobre, quando conversava com uma advogado. Ele tem passagens pela polícia por porte ilegal de armas.

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