Prisão de assassinos torna moção de censura "quase ridícula" Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 25 (AE) - A direita francesa não tem sorte. Amanhã (25)
quarta-feira, defenderá perante a Assembléia Nacional uma "moção de censura" contra o governo socialista de Lionel Jospin. Ora, um fato totalmente inesperado, hoje, faz prever que essa "moção de censura" será um total fracasso.
Motivo da censura: o caos no qual se encontra a ilha de Córsega, parte da França situada ao sul do país, no mar Mediterrâneo.
Na Ilha de Córsega, esse caos é antigo, quase congênito. Mas há dois anos, as desordens se multiplicam: em 1998, o chefe de Departamento Erignac - na França, o Chefe de Departamento não é eleito pelo povo: é um alto funcionário designado pelo governo, o representante do Estado na região) foi assassinado por independentistas.
E a polícia não conseguia descobrir o autor desse atentado.
O poder socialista reage violentamente contra esse assassinato. Nomeia um outro Chefe de Departamento, de linha dura, que exerce o cargo com energia exagerada, uma vez que, ao ver que os corsos não respeitam a lei francesa (em particular, construindo restaurantes na praia, quiosques que são proibidos pela lei), resolve agir "na marra" e deixa os policiais da ilha colocarem fogo clandestinamente em um desses quiosques.
Foi este conjunto de coisas que a "direita" decidiu condenar com sua "moção de censura": assassinato do chefe de departamento nunca elucidado, desvarios de um outro chefe de departamento em sua vontade frenética de restabelecer a ordem.
Ora, no dia de Pentecostes, surpresa! A polícia prende, após de dezoito meses de tentativas, os assassinos de Erignac. Para a "direita", isso é desastroso: a moção de censura que vão fazer amanhã torna-se sem objeto e quase ridícula.
Um ponto merece atenção: os assassinos de Erignac foram identificados pela polícia sobretudo por causa de seus telefones celulares. De que maneira?
Os celulares emitem regularmente um sinal que permite identificar a todo momento em que "célula" o telefone está situado. De fato, a zona de cobertura móvel de radiotelefonia é constituída por uma malha parecida com uma colméia de abelhas. Em cada uma dessas malhas, o usuário se comunica, por rádio, com uma estação. E se o usuário se desloca, ultrapassa a fronteira entre duas células, o sistema o transfere para o novo território
sem que ocorra interrupção da conversa.
Assim, pode-se seguir a pista, de malha em malha, de cada usuário de celular. No campo, as "células" são bastante grandes, pois o alcance dos telefones atinge 10 quilômetros. Na cidade, por causa das interferências no sinal de rádio, o alcance é menor: aproximadamente 2 quilômetros.
Não queremos aborrecer o leitor com detalhes técnicos, mas creio que já deu para entender que o celular permite localizar o usuário, sem que seja preciso grampear seus telefones.
Assim, no caso do assassinato de Erignac, os criminosos deixaram inúmeros vestígios. Todos os protagonistas do crime usaram celulares de maneira que na véspera, no momento e no dia seguinte do crime, um grande número de chamadas foi transmitido pela faixa/banda envolvida. A polícia realizou uma pesquisa muito demorada, muito complexa, mas muito frutífera: apurar os nomes de todos os usuários de telefone celular na região e na hora do atentado, e concentrar suas buscas nessas pessoas.
Milhares de chamadas foram examinadas. E eis o resultado: foi possível identificar seis ou sete pessoas que multiplicaram suas ligações na hora do crime. Essas pessoas ficaram desarmadas diante das provas irrefutáveis e, confessaram.
Agora os criminosos e terroristas saberão que o telefone celular que parece tão inocente, que é tão cômodo para exercer a indústria do crime, é na verdade um dedo-duro terrível. É bem mais perigoso para os bandidos do que o telefone fixo.





