São Paulo, 02 (AE) - A prisão de três sequestradores levou à libertação de Andrea Karina Gonzalez, de 27 anos. Filha do consultor financeiro Wilfredo Gonzalez Ruiz, de 47 anos, ela permaneceu 54 dias no cativeiro, um apartamento em Pirituba, na zona oeste de São Paulo. Não houve pagamento de resgate. Outros três sequestradores estão foragidos, entre eles o responsável pelo planejamento do crime.
Andrea trabalha com o pai. A família mora no Morumbi, na zona sul. Em 8 de abril, ela estava perto de casa, dirigindo um Palio, quando o carro foi cercado por um Tempra e um Corsa. Quatro homens desceram dos veículos. Andrea foi posta no Tempra e levada para o cativeiro. O carro dela foi abandonado pelos sequestradores em Moema.
Com medo dos criminosos, o pai da jovem só avisou a Delegacia Anti-Sequestro (Deas) em 15 de abril. Os policiais passaram a acompanhar as negociações entre a família e os sequestradores, feitas por telefone. O pai de Andrea, que conversava com os criminosos, havia conseguido que eles concordassem em diminuir o preço do resgate para US$ 1 milhão. "A família não tem nem mesmo essa quantia", disse o delegado Maurício Guimarães Soares, titular da Deas.
Por meio das investigações, os policiais descobriram pistas sobre a possível localização do cativeiro e, ontem (01) à noite, pararam, perto da Rodovia Anhanguera, um Uno com placa do Rio, em que estavam três homens. Os policiais detiveram o mecânico Evando Carlos da Silva, de 30 anos, Marcelo da Cruz Santos, de 24, e Joaquim Gomes Cortez, de 29. Todos foram presos em flagrante e acusados do crime. Um quarto sequestrador estava do outro lado da rua e presenciou a detenção dos colegas. Ele foi até o prédio usado como cativeiro, na Avenida Agenor Couto de Magalhães. Ele e o criminoso que estava vigiando o apartamento puseram Andrea num carro e saíram do prédio. Depois de 20 minutos, quando os policiais da Deas chegaram ao prédio, com base nas informações dos presos, não havia mais ninguém no apartamento. Demorou ainda quase 15 minutos para que Andrea telefonasse para a família. Os sequestradores haviam libertado a vítima na Rua Paulo Franco, na Lapa. Ela pegou um táxi e voltou sozinha para casa.
Ao todo, 16 policiais participaram da operação. O cativeiro ficava num prédio de classe média, com três blocos. O apartamento tinha dois quartos e estava sublocado por um dos criminosos. Andrea ficou num dos quartos nos primeiros dias do sequestro. Depois, pôde sair para tomar banho. Comeu arroz e feijão e, após reclamar da qualidade da comida, obteve dos sequestradores o direito de fazê-la sozinha.
A polícia apreendeu o Uno que estava com os acusados, dois telefones celulares e um pager. Nenhum dos sequestradores estava armado. "Todos os presos já foram processados por roubo", disse o delegado. De acordo com ele, Andrea reconheceu os três. Dos criminosos foragidos, a polícia identificou dois. Além de indiciados, eles devem ter a prisão decretada pela Justiça. Na Deas, a suspeita é que o sequestro tenha sido uma vingança contra o consultor financeiro. Dos 12 sequestros ocorridos em São Paulo em 1999, a polícia esclareceu 10.

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