Prioridade é manter paridade e respeitar metas fiscais17/Mar, 23:29 Por Vladimir Goitia, enviado especial Buenos Aires (AE) - Apesar dos resultados positivos conseguido nos 100 primeiro dias à frente do país, o governo De la Rúa não está satisfeito e acredita que existem ainda grandes tarefas por fazer para reordenar a economia argentina. "A prioridade é manter a estabilidade monetária e respeitar a lei de responsabilidade fiscal", acrescentou Carlos Winograd, braço direito do ministro José Luis Machinea nas questões macroeconômicas entre o Brasil e a Argentina. A equipe econômica acredita que esses dois fatores devem possibilitar um crescimento sustentável de 4% a 5% nos próximos dez anos e a redução paulatina da taxa de desemprego. Mas a maioria dos economistas têm dúvida sobre isso. A Fundação Capital, um dos principais escritórios de consultoria financeira do país, diz que, contrariamente às estimativas prévias, a expansão da economia dificilmente superará os 2,5% este ano. "De acordo com estimativas prévias, o processo recessivo parecia estar superado no terceiro trimestre de 1999, já que, no quatro período do ano, a economia havia chegado a crescer 1,7% em relação ao trimestre anterior, o que equivaleria dizer uma expansão anualizada de 7%. Mas a ausência de novos capitais externos até fevereiro não permitiu, até agora, a reação esperada", diz um relatório da Funbação Capital. Para os economistas desse escritório de consultoria, a reativação econômica deve ficar adiada para o segundo semestre. O governo acredita ainda que, neste trimestre, a expansão da economia argentina será de 2% e 3%, com aceleração esperada para o segundo semestre. Em dez anos, o anterior anterior governo conseguiu sustentar a estabilidade de preços, a paridade cambial e alguns surtos de crescimento de quase 8% ao ano dos quais fala a atual equipe econômica, mas o custo foi gigantesco. O efeito cumulativo de déficits fiscais, somado à queda paulatina das exportações a partir de 1998, quando do início da crise asiática, fez a Argentina depender exageradamente dos financiamentos externos. O pagamento dos juros da dívida pública, por exemplo, mas do que triplicaram desde 1992. Este ano, esses comproimissos representarão quase 16% de todos os gastos públicos. Mas o secretário de Financiamento, Daniel Marx, acredita que o governo conseguiu o colchão financeiro suficiente para honrrar os compromissos deste semestre. "As nossas necessidades financeiras este ano chegam a US$ 17,5 bilhões, mas a maior parte dessa dívida é de longo prazo e renovável", disse Marx à Agência Estado. De acordo com Marx, principal negociador da dívida pública aregentina junto ao FMI, as necessidades de financiamento foram praticamente duplicados no primeiro bimestre deste ano, chegando a US$ 3,9 bilhões. "A combinação de todos esse fatores nos permite afirmar que a economia do país crescerá este ano 4%", disse o secretário. Primeiro, acrescentou ele, a solvência pública está melhorando. "Portanto, haverá menos pressão de setor público sobre o privado e, em consequência disso, o custo do endividadmento desses dois setores será menor." Outros fatores com os quais conta a Argentina são os externos. O Brasil é um deles. "A apreciação do real, por um lado, deve reduzir para 8% ou 12% a perda de competitividade argentina no fim do ano 2000 e o crescimento de 4% estimado para a economia brasileira, por outro, deve alavancar as exportações", argumentou Winograd. Segundo ele, as exportações devem crescer este ano 10% em volume e 17% em valor. Além disso, disse Winograd, "a Europa e a ásia estão crescendo e, a médio prazo, o euro deve apreciar-se em relação ao dólar, o que melhorará sensivelmente o peso argentino". Winograd acredita também que o preço das commodities, principal item da pauta de exportações argentinas, devem melhorar no mercado externo. Nos últimas semanas, eles subiram entre 2,5% e 3,2% em Chicago. "Considerando que as exportações argentina representam 10% do PIB, podemos afirmar que, só como isso, o produto será alavancado em pelo menos um ponto porcentual", explicou o secretário de Defesa da Concorrência. O grande temor para esse cenário otimista, no entanto, seria uma aterrisagem brusca da economia norte-americana, que não pára de subir, em contraste a um "soft landing". Mas nem mesmo o aumento das taxas de juros norte-americanas assutam o governo argentino. "A alta não necessariamente será tão negativas. Se bem há um aumento sobre os juros da dívida contratada em termos flutuantes muito da dívida está contratada a taxas fixas", explicou Marx. Paridade - O ministro de Economia da Argentina, José Luis Machinea, reafirmou que a Argentina não abandonará o regime de conversibilidade, que atrela o peso ao dólar na paridade de um por um. "É o melhor sistema que temos e por mais que quiséssemos sair dela não poderíamos", afirmou o ministro. De acordo com Machinea, 90% da dívida pública e 75% da dívida privada argentina estão em dólares, o que deixa fora de cogitação qualquer possibilidade de desvalorizar a moeda argentina ou mudar o regime cambial do país. O ministro acrescentou ainda que 100% dos contratos das privatizações e das concessões também estão em dólares, além de 80% dos contratos de aluguéis estarem atrelados à moeda norte-americana. O consenso de Machinea, Winograd e Marx é que a possibilidade de abandonar o regime de conversibilidade traria mais custos que benefícios.

mockup