Prioridade do BC é controle da inflação, responde Fraga
São Paulo, 20 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defendeu firmemente o sistema de metas de inflação como sendo o melhor modelo para o Brasil. Ele encerrou o mesmo seminário do qual participou o ex-presidente do BC Gustavo Franco. Segundo Fraga, a prioridade do BC é o controle da inflação.
Respondendo às perguntas dos participantes, disse que no modelo de metas de inflação, câmbio e juros mudam de papel. Antes, o câmbio funcionava como uma âncora da inflação. Agora, os juros vão tomar conta da inflação e o câmbio vai tomar conta do balanço de pagamentos.
Fraga foi sucinto e evitou responder diretamente sobre o que o BC faria com a taxa de câmbio e as reservas internacionais no caso de ocorrer uma crise externa quando o sistema de metas de inflação já estivesse funcionando. "A prioridade no inflation targeting - o presidente do BC sempre usou o termo em inglês para designar o modelo de política monetária quer está sendo montado pelo BC - é a inflação", repetiu, acrescentando que a taxa cambial será incorporada ao controle da política monetária quando sua flutuação interferir na taxa de inflação.
A avaliação dos presentes é que Fraga quis simplesmente dizer que os juros serão elevados para conter a flutuação excessiva do câmbio quando o BC concluir que a alta do dólar estiver provocando - ou poderá provocar - elevação de preços no Brasil.
De acordo com o presidente do BC, o sistema vai ser montado de modo que o BC tenha independência operacional para perseguir a meta de inflação que vai ser estabelecida pelo Executivo. Será um conceito limitado de independência muito semelhante ao que existe na Inglaterra, disse.
Fraga afirmou que existem obstáculos, mas nada que seja fundamental. Uma das dificuldades, segundo ele, é que não existem dados para estimar com exatidão a influência da taxa de câmbio na política monetária. Mas, disse Fraga, há parâmetros que podem ser usados.
O presidente do Banco Central disse que é importante que se veja a mudança no perfil do dinheiro que está entrando no País. Até há pouco tempo, disse, era de curtíssimo prazo e, agora, isso não está acontecendo mais. Ele citou o cupom cambial
que hoje está mais baixo, como exemplo dessa mudança. "Isso nos dá um conforto para lidar com uma possível volatilidade do sistema", afirmou.
Loyola - Franco não criticou sozinho o modelo de metas de inflação. Para o também ex-presidente do BC Gustavo Loyola, o momento é inadequado para a adoção deste sistema. Na sua avaliação, a fragilidade fiscal do País funciona, neste momento, como uma restrição ao novo modelo de política monetária que está sendo desenhado pelo BC.
"A atual política fiscal é um constrangimento a qualquer regime de âncora nominal", disse ele, após explicar que existem três modelos deste tipo de âncora: taxa de câmbio, inflation targeting e agregados monetários.
"Tendo a concordar com o Gustavo Franco quando ele sugere que o Brasil deveria adotar algum sistema de banda cambial, um modelo alternativo entre o câmbio fixo e o flutuante", explicou Loyola.





