Amã, 06 (AE-REUTERS) - Diante do agravamento do estado de saúde do rei Hussein (cuja morte clínica já teria ocorrido, segundo fontes oficiais), o príncipe Abdullah, herdeiro do trono jordaniano, jurou hoje (06) perante o Conselho de Ministros como regente da Jordânia (rei em exercício), tornando-se responsável pelas questões de Estado. Hussein, que respira com auxílio de aparelhos, foi declarado incapaz pelo chefe do governo, o primeiro-ministro Fayez Tarawneh.
"O rei não pode exercer suas funções constitucionais, motivo pelo qual o Conselho de Ministros decidiu declarar o príncipe herdeiro Abdullah regente", anunciou o ministro da Informação, Naser Yudeh. Ele ressaltou que a decisão havia sido adotada com base em um parecer da equipe médica do Centro Médico Al-Hussein (na capital jordaniana), onde o monarca encontra-se internado numa unidade de terapia intensiva desde seu retorno dos Estados Unidos há três dias.
Segundo o médico particular do rei, Samir Farraj, Hussein está conectado a um aparelho de respiração e recebendo medicamentos. "Os rins e o fígado estão praticamente paralisados, mas o coração e o cérebro continuam funcionando normalmente", acrescentou o médico, desmentindo informações atribuídas a uma alta fonte palaciana de que o rei havia sido transportado do hospital para sua residência oficial, o Palácio de Bab al Salam (zona oeste de Amã), a pedido da família.
Comentando a decisão de tornar Abdullah regente, o ministro da Informação disse o governo pretende manter a estabilidade do país e o funcionamento normal de todas as suas instituições. "De acordo com a Constituição da Jordânia, o príncipe Abdullah poderá exercer todos os poderes conferidos ao rei, sem nenhuma exceção", ressaltou Yudeh. Contudo, Abdullah não tem poderes para fazer duas coisas: alterar a Constituição e assinar tratados.
Esta foi a primeira vez na história recente da Jordânia que um príncipe é feito regente com base na Constituição. Até então, o regente era designado mediante decreto real. Abdullah, filho mais velho de Hussein, foi designado príncipe herdeiro pelo próprio pai no dia 25. No dia seguinte, o monarca regressava às pressas à Clínica Mayo de Rochester, em Minnesota, nos Estados Unidos, onde foi submetido a um malogrado transplante de medula.
Antes de partir, Hussein assinou também decreto tornando o filho regente. Contudo, pela Constituição, esse decreto foi automaticamente revogado com o retorno do rei ao país no dia 4, já em estado de coma. Portanto, tecnicamente, a Jordânia ficou sem chefe de Estado durante 24 horas. "Este país é regido por uma Constituição", ressaltou o ministro da Informação, Naser Yudeh, perante um verdadeiro batalhão de jornalistas jordanianos e estrangeiros, para acrescentar: "Tudo será feito com base nela."
O ministro pediu aos jornalistas evitar a "difusão de rumores" e insistiu: "A continuidade está garantida e as instituições são absolutamente sólidas neste difícil momento que o país vive."
A insistência do ministro está relacionada com a "pouca intimidade" de Abdullah, de 37 anos, com a política e as coisas do Estado, que lhe é atribuída pela imprensa e por fontes diplomáticas ocidentais. General do Exército (onde comandava uma unidade de elite), ele é apontado como "excelente" disciplinador. "Eu espero que a transição do poder seja feita calmamente e da melhor maneira possível", disse ele. "Tenho instruções de sua majestade, o rei, para executar suas determinações e realizar o que é melhor."

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