O principal líder da greve que pôs Salvador em um estado de sítio informal não é um policial militar. Presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, Crispiniano Daltro, 42, conseguiu unificar as duas polícias, enfrentar o governo estadual e obrigar o Exército a deslocar para as ruas da capital baiana pelo menos 2 mil homens.
Filiado ao PT -o sindicato é controlado pela CUT-, Crispiniano Daltro defende uma reforma completa na estrutura das polícias civil e militar. ‘‘Para o governo, o policial que tortura, mata e agride é premiado. A nossa proposta é totalmente diferente. Queremos que o governo dê um incentivo financeiro aos policiais que conseguirem reduzir o índice de criminalidade nos bairros onde trabalham.’’
Casado, duas filhas, Daltro sonha em transferir para a sociedade ‘‘a formação do policial’’. ‘‘Quem deve determinar como deve ser a polícia é a sociedade. O ideal seria que cada grande cidade tivesse pelo menos dez conselhos para analisar e orientar a conduta do policial.’’
Segundo Daltro, a paralisação dos policiais na Bahia não prejudica a imagem de Lula, teoria defendida pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL). ‘‘O Lula, que passou grande parte de sua vida defendendo o trabalhador, entende perfeitamente a nossa posição.’’
Além de Crispiniano Daltro, a greve tem ainda outros dois líderes -o capitão da reserva e deputado estadual Tadeu Fernandes (PSB), 40, e o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Estado, Agnaldo Pinto, 40. (Agência Folha)

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