Rio, 13 (AE) - Estes são os principais pontos do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje, na feira de 1999 da Associação Brasileira de Supermercados (Abras): PORQUÊ DOS JUROS ALTOS - "A manutenção e o custo da estabilidade estão ligadas a uma coisa que também já foi mencionada aqui: por que foi necessário manter taxas de juros elevadas para garantir a estabilidade? Porque nós não tivemos a capacidade política de convencer o Congresso Nacional e a sociedade brasileira que as reformas não são uma exigência externa, não são uma implicância do presidente da República, são condição necessária para o Brasil crescer com prosperidade e inflação baixa. Sem reforma, o custo da estabilidade é muito alto. A reforma não é uma palavra vazia, não é uma pregação oca de uma pessoa, ou de conjunto de pessoas, é uma necessidade objetiva." REFORMA TÍMIDA - "Nos primeiros meses de meu governo, reuni todas as bancadas dos partidos que me apoiavam. Tentei os outros também, para mostrar os dados e enviamos ao Congresso Nacional uma proposta de reforma da Previdência. Quatro anos. Esta proposta só foi aprovada no começo deste ano e foi aprovada timidamente porque não houve a compreensão do Congresso Nacional da importância de certas medidas, como por exemplo, estender o número de anos que a pessoa trabalha para que possa gozar de uma aposentadoria que não seja onerosa para os mais pobres e para o conjunto da sociedade." APOSENTADORIAS - "Se paga para aposentadorias cinco vezes e meia a mais do que se gasta para a educação. É justo que se pague, os brasileiros trabalharam, tem que se aposentar e parte dessa aposentadoria é transferência direta, renda mínima, mas eles tem direito, precisam ser apoiados, ninguém discute isso." CLAMOR POR JUSTIÇA - "Quando se examina a composição dos gastos da Previdência, a maioria dos mais pobres se aposenta por idade e quem se aposenta por tempo de contribuição são precisamente os que mais ganham. Esses são os que se aposentam cedo e o déficit é produzido porque os que se aposentam cedo não pagaram o suficiente para garantir a continuidade de sua aposentadoria. Portanto, os mais pobres vão pagar a aposentadoria dos mais ricos e isso não é justo. É por justiça que se clama, não é apenas por questão de equilíbrio orçamentário." PREVIDÊNCIA/ORÇAMENTO - "O déficit da Previdência Pública é de RS$ 19 bilhões. Esse dinheiro vem de todo o País dos mais pobres e aos mais ricos. Dos que consomem os impostos indiretos para pagar as aposentadorias de 3 milhões de pessoas. É justo isso? Somando-se os déficits da previdência pública e privada, são quase R$ 30 bilhões. Corresponde a quase todo o gasto do governo federal com educação, saúde, transporte, forças armadas, agricultura. Se eu somar a isso o que acontece nos Estados e municípios, possa tranquilamente somar mais R$ 15 bilhões, então são 45 bilhões." CUSTO DO DÉFICIT - "Nós vamos todos os anos aos bancos, aos banqueiros pedir emprestado. Por isso, os juros são altos. Porque nós tiramos o dinheiro da sociedade, através dos bancos, pedimos emprestado este dinheiro, para garantir a continuidade da rolagem da dívida do governo federal e dos governos estaduais
se somarmos o juros que se paga nada menos que R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões. O custo da falta de coragem nossa de fazermos uma reforma correta da Previdência Social. Cabe isso? DIREITOS - "Cabe que eu tenha que pedir todas as vezes que falo
ao Congresso Nacional, que vote? E que ainda ouço que é difícil e que meu Deus, será que estamos tirando o direito deste ou daquele? Nós não estamos querendo tirar direito de ninguém, nós queremos dar direito aos brasileiros de ter uma vida melhor, de não terem juros altos, de terem trabalho, de terem a possibilidade de um País que cresce e se desenvolve." REFORMA TRIBUTáRIA - "Cabe que se leve quatro, cinco anos pedindo que se faça o óbvio? Não cabe mais. Cabe agora pressa. O País não aguenta mais a indecisão e a indecisão não é do presidente da República, a indecisão é de quem posterga, de quem não vota, adia, não aparece, não comparece, de quem tem medo de votar. A indecisão é daqueles que não tem a coragem de dizer ao povo as razões pelas quais não votam e que usam artifícios para fingir que estamos tirando direitos sociais, quando estamos querendo acabar com abusos e privilégios." APELO - "Se nós tivermos este ano, este semestre, as respostas necessárias - são poucas, trata-se simplesmente de um pedido para que possamos estabilizar o déficit da Previdência a partir do ano 2002. Com isso, doutor Herbert Levy, a taxa de juros cai, porque caem as previsões catastróficas que o governo ficará insolvável por não ter condições de pagar a dívida interna." AMENIZANDO AS CRÍTICAS - "Tenho energia para seguir pedindo ao Congresso - que aliás, tem respondido aos pedidos do presidente - e por isso peço com mais energia agora, de novo, que votemos com urgência o que lá está. Esse empenho para que façamos o que falta das reformas, que não é tanto, para assegurar uma estabilidade mais permanente. Porque a estabilidade para este ano, para o que vem, até o ano 2002, nós vamos assegurar, com as medidas que já tomamos, mas o Brasil é mais do que um mandato. O Brasil é um futuro de gerações. As reforma não são para mim, não são para este governo, são para este País." FAZER SOLIDáRIO - "A estabilidade teve consequências positivas e nós temos nas mãos as oportunidades. Não vamos deixar que elas escorreguem, não pela demagogia, nem pela falta de firmeza, ou pelo medo ou incerteza do que possa acontecer. Temos de fazer com energia e que esse fazer não seja um fazer solitário, mas seja um fazer solidário, de todos os brasileiros." APELO/OPOSIÇÃO - "Que esqueçamos por um momento as divergências de partidos, que são menores, diante do contexto que temos de enfrentar. Que esqueçamos ideologias que já perderam sentido em face dos problemas novos que aí estão, que definamos uma pauta objetiva do que é possível fazer para que o Brasil continue avançando." DESVARIO - "Eu hoje confio mais do que nunca nos brasileiros e brasileiras porque o Brasil hoje tem uma sociedade dinâmica. Ainda que o Estado, ainda que a política se perca no desvario, ainda que se perca em desvãos desnecessários - e não vai se perder - a sociedade brasileira hoje é mais dinâmica, tem mais noção de seus desafios e também tem mais noção de sua força e há de ser capaz de avançar." ENCHER OS CARRINHOS - "O que nós queremos mesmo é encher os carrinhos de comida, o que nós queremos mesmo é mais gente, não só nos supermercados, mas andando por esse Brasil, à busca de qualidade, de mais bem estar e para isso nós precisamos não só de estabilidade e desenvolvimento, mas também de tomar as medidas necessárias, que levem a baixa dos juros." SALáRIOS CURTOS - "Espero que se faça convênios coletivos que vão ser firmados daqui para frente, para reequilibrar a distribuição entre lucros e salários e fazer com que os salários sejam menos curtos para a imensa maioria da população. Há momentos em que o governo tem a energia necessária para saber que não é possível soltar, é preciso efetivamente controle e até mesmo salarial." DISTRIBUIÇÃO DE RENDA - "Mas há momentos em que se divisa horizontes de maior ânimo e mais desanuviados, há momentos em que sem a melhor distribuição de renda, sem algo mais no bolso, não haverá nada mais no estômago e sem mais no estômago, não haverá negócios, não haverá desenvolvimento, por isso, nós podemos ser solidários, podemos darmos as mãos uns aos outros, porque o benefício de uns não é em detrimento de outros, é em proveito de todos." INFLAÇÃO - "Foi a reação dos produtores, supermercadistas, dos consumidores, que permitiu que o Brasil desse uma lição ao mundo contemporâneo. Sofremos uma desvalorização da moeda entre 35% e 40% e a inflação não vai ultrapassar os 7% este ano. Hoje, num momento de grande dificuldade, grande luta, conseguimos reverter a ameaça inflacionária. E inflação sobre controle quer dizer o povo mais pobre podendo consumir, quer dizer não corroer o salário do mais pobre." MUDANÇAS ECONÍMICAS - "As mudanças que estão sendo produzidas no decorrer deste ano pelo governo federal e que têm incidência sobre a política econômica são claras: entre as mudanças, não só a mudança cambial que levou a expansão do setor exportador, que vai se modificar no correr do tempo, as exportações estão crescendo e não fosse o preço das commoditties caindo teríamos resultados palpáveis na balança comercial." JUROS - "A mudança cambial permitiu a política de juros declinantes. As taxas de juros do Banco Central são de 19,5% , se descontarmos inflação do consumidor de 7%, teremos juros reais que se aproximam do limite constitucional. Na verdade já estamos no limite constitucional, mas nós não nos conformamos com ele. Queremos mais, queremos seguir efetivamente uma trajetória declinante para que possamos ter as taxas de crescimento que todos almejamos e vamos tê-las se nós mantivermos firmes o caminho da transformação do Brasil."

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