Principais pontos do discurso de FHC
Brasília, 19 (AE) - Os principais pontos do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso durante a posse dos novos ministros. OPOSIÇÃO - Estou disposto a que, através de meus ministros, ou pessoalmente, possamos continuar discutindo esse projeto para o Brasil, que é um Brasil sem crença em um projeto penoso, com mais gente na escola, com atendimento da saúde melhor, com mais reforma agrária, com estabilidade econômica, com honestidade e decência na vida pública. É um Brasil, portanto, que tem projeto para si mesmo. Ou a oposição é parte crítica desse projeto ou está contra o Brasil. GOLPISMO - Peço à oposição que ao tomar nota do que estamos fazendo tenha certeza que fazemos pelo País. Meus ouvidos estão sempre abertos, a minha mão está sempre estendida, só não posso aceitar, e não é o caso, pelo menos daqueles que eu gostaria de ver mais próximos, o golpismo, a vontade de desrespeitar a decisão do povo, não posso aceitar a utilização da infâmia como arma política. Mas a crítica, a oposição aberta, como arma necessária para política, eu não só não posso aceitar, eu devo aceitar. MUDANÇA MINISTERIAL - Estarão em erro os que imaginarem que os dias de decisão foram os dias de aflição por pressões indevidas, ou mesmo devidas. Foram dias, eu até diria, de uma compreensão respeitosa de que o Brasil precisava mudar mais depressa, exigia do presidente certas ações, o presidente tinha que tomá-las e as tomou e espera continuar contando com o apoio da base porque não é para mim, é para o Brasil, para que sigamos adiante nas transformações que o Brasil precisa. AVANÇO DO PAÍS - Há uma mudança talvez de acento, de tônica, e essa vai continuar. Hoje estamos sentindo que o Brasil está pronto para alçar um vôo maior e que não se compraz mais ao ver discussões menores prejudicando os projetos maiores. Por sorte os partidos que me apóiam tiveram essa compreensão nesse momento. LEALDADE - Nessa difícil tarefa de reorganização de um ministério, os partidos que me apóiam, todos, tiveram a compreensão do momento. Todos, insisto, sobretudo os partidos cujas posições foram mais afetadas como o meu próprio partido e o PMDB. Foram compreensíveis, entenderam os desafios que o presidente tinha. Entenderam também que o presidente precisa da base partidária não para ele mas para o País. E quando alguém pede lealdade ao País e ao seu programa não está pedindo que as pessoas não tenham compromisso com os seus partidos. Está dizendo que seus partidos são leais ao País, são leais ao presidente, que foram apoiados na votação, portanto são leais a um programa. ESTABILIDADE - Vamos seguir no caminho de manter as nossas contas públicas equilibradas, porque temos esse compromisso fundamental com o nosso povo que é o de evitar que a inflação corroa os eventuais benefícios do crescimento. Vamos levar adiante a reforma tributária, a lei de responsabilidade fiscal, aprofundar a reforma da Previdência, a reforma trabalhista. CRESCIMENTO - O Brasil vai continuar crescendo, vai se desenvolver. As tarefas são grandes e precisam ser bem cumpridas. Com estabilidade e compreensão da democracia, do papel das leis. CONCILIADOR - Há uma certa incompreensão quando o presidente da República busca recolocar pessoas que serviram a nível (sic) ministerial como se fosse alguma coisa que se faz em função da pessoa. Não, se faz em função do País. O Brasil precisa de seus melhores quadros e o presidente tem que se empenhar para mantê-los nas funções possíveis de acordo com as circunstâncias momentâneas, geralmente produzidas por fatos que são sociais e são políticos, mas que não dizem respeito ao julgamento pessoal que o presidente possa ter a respeito de seus colaboradores. O presidente não quer conciliar, quer ver o Brasil avançando, quer resgatar os valores do Brasil e não perdê-los por questões que são menores. FUNCIONALISMO PÚBLICO - Não é cortar pessoal. É dar eficiência à máquina administrativa. Aprimorar a pessoa, tirar de onde está sobrando e colocar onde está faltando. Não se trata de uma visão mesquinha de que o funcionário pague a conta do ajuste. Não. É uma coisa mais profunda do que isso, que requer realmente um pensamento inovador, uma gestão empreendedora, que supere os entraves burocráticos.





