Roma, 04 (AE) - Os primeiros mártires da fé brasileiros serão beatificados amanhã (05) pelo papa João Paulo II em uma cerimônia solene na Praça de São Pedro, no Vaticano. Dos 30 mártires do Rio Grande do Norte - 28 leigos, entre eles mulheres e crianças, e 2 sacerdotes - 27 eram brasileiros natos, 1 espanhol, 1 francês e 1 português. Vítimas de atrocidades por parte de holandeses e índios potiguares e tapuias em 1645, morreram defendendo a fé católica, mas sua história ainda é desconhecida no resto do Brasil. Cerca de mil fiéis brasileiros assistirão à cerimônia, na qual o papa vai beatificar outros 14 mártires: 11 polonesas, 1 filipino, 1 tailandês e 1 vietnamita. Entre os visitantes estão o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, três senadores, quatro deputados federais, a prefeita de Natal, Vilma Faria, e o governador Garibaldi Alves Filho. O ponto alto da cerimônia é o pedido formal de beatificação ao santo padre, que será feito pelo arcebispo de Natal, d. Heitor de Araújo Sales, e a exposição da tela com a imagem dos beatos na fachada da Basílica de São Pedro. Em primeiro plano estão os dois sacerdotes: o paulista de São Vicente, André Soveral, e o português Ambrosio Francisco Ferro. Logo atrás estão Mateus Moreira - o personagem símbolo do martírio, cujo coração, segundo os cronistas da época, foi arrancado pelas costas - e as outras 27 vítimas. No total, morreram 150 pessoas em duas chacinas. "Mas só foi possível identificar 30, e mesmo assim não sabemos o nome de todos", disse à AE o monsenhor Francisco de Assis Pereira, vigário-geral da Arquidiocese de Natal e postulador da causa, que durou 10 anos e custou US$ 30 mil. Em julho de 1645, os holandeses atacaram os fiéis da Igreja de Nossa Senhora das Candeias em Cunhaú. Fecharam portas e janelas e massacraram 70 pessoas. Em outubro do mesmo ano, os holandeses levaram 80 pessoas para o Porto de Uruaçu, onde foram assassinadas. Antes da chacina, um pastor protestante propôs a conversão ao calvinismo. Diante da recusa, os católicos foram torturados e depois esquartejados ainda vivos pelos índios.

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