Primeiros cubanos começam a deixar Brasil
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Natália Cancian <br> Folhapress 

Brasília - Ao ver a pilha de malas acumuladas no desembarque do aeroporto de Brasília e as bandeiras de Brasil e Cuba, a advogada brasileira Maria do Socorro Thomaz, 56, não conteve as lágrimas. "Muchas gracias, viu?", disse ao ver o grupo de médicos com o nome da cooperação cubana no programa Mais Médicos. À Folha de S.Paulo, ela explica o gesto. "Já morei no interior do Acre e sei como é importante a presença do médico. É uma tristeza isso", lamentou.
Após o anúncio do fim da participação de Cuba no Mais Médicos, cerca de 400 médicos que até então atuavam no programa começaram a deixar no país nesta quinta-feira (22). A situação levou o aeroporto de Brasília a organizar um espaço à parte para dar conta da partida. Os dois primeiros voos estavam previstos para as 22h em direção a Havana.
Desde quarta, no entanto, médicos começam a chegar à capital federal de diferentes cidades do País. A maioria relata surpresa por ter que deixar o programa.
"No posto, todos me perguntaram: mas por que está indo embora?, disse Rosilie Torres, 32, que trabalhava até segunda-feira no interior de Pernambuco. No mesmo dia, conta, ela já começou a fazer as malas. Aos pacientes, disse que precisava ir embora "para ver a família". À reportagem, porém, relata que não esperava pela saída tão cedo.
"Mesmo com as diferenças que vimos durante a campanha [eleitoral], achava que ia dar tempo de terminar o contrato", afirma. Segundo ela, a unidade de saúde onde trabalhava deve agora ficar sem médico. "Só tinha eu para uma população de 4.268 pacientes".
Apesar da surpresa pelo fim da participação no programa, a maioria dos médicos ouvidos pela Folha disse apoiar a decisão de Cuba. "Sabemos que a decisão que Cuba tomou foi pelo bem nosso. Se você tivesse um filho e falassem mal dele, você faria o mesmo", afirma Yoendri Vera, 34, que trabalhava havia dois anos em São Caetano, no interior de Pernambuco.
Para ele, as críticas à participação de médicos cubanos no Mais Médicos são injustas.
"Ele [Bolsonaro] fala que é uma escravidão. Não acho. Sabemos que esse dinheiro vai para o governo de Cuba investir em novos médicos. Eu me formei e nunca paguei um peso por isso", disse. "Fomos a outros países só pelo humanismo. Volto com a satisfação de ter pacientes gratos", disse Sucel Galban, 30, pouco antes de emendar um grito "Viva Brasil! Viva Cuba!".
Segundo a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), a expectativa é que todos os médicos cubanos deixem o país até 12 de dezembro.
NOVO PRAZO
O Ministério da Saúde prorrogou para o dia 7 de dezembro o prazo de inscrição de profissionais brasileiros e estrangeiros com registro no Brasil que queiram participar da nova seleção do Mais Médicos. Segundo a pasta, a medida foi tomada devido à instabilidade no site do programa causada por ataques cibernéticos. O prazo para as inscrições terminaria no próximo domingo (25).
com a mudança, o prazo para apresentação dos médicos nos municípios para a homologação do contrato também foi estendido. Agora os inscritos terão até o dia 14 de dezembro para entregar a documentação no município escolhido e iniciar o trabalho.
De acordo com o Ministério da Saúde, até as 17h desta quinta-feira, segundo dia de inscrições, o número de candidatos ao programa com registro em CRM Conselho Regional de Medicina brasileiro chegou a 11.429. Desse total, 5.212 profissionais efetivaram a inscrição e 3.648 médicos já selecionaram o município de atuação.(Com Agência Brasil)


