"Temos que sempre sonhar em chegar ao topo, ainda que o topo seja inalcançável", declara Ascêncio Garcia Lopes
"Temos que sempre sonhar em chegar ao topo, ainda que o topo seja inalcançável", declara Ascêncio Garcia Lopes | Foto: Saulo Ohara



Quando era presidente da Associação Médica de Londrina, em 1966, Ascêncio Garcia Lopes começou a articular a criação da Faculdade de Medicina de Londrina. Com o sonho alcançado, três anos depois iniciou o novo desafio: ajudar a instalar uma universidade em Londrina. Em 1970, foi nomeado o primeiro reitor da então criada Universidade Estadual de Londrina (UEL), função que desempenhou até 1974. "Contando assim parece que foi fácil, mas não foi, não. Trabalhamos arduamente para que o sonho se tornasse realidade", conta.
Garcia Lopes relembra as longas viagens de ônibus para São Paulo, atrás de especialistas para criar os projetos que seriam apresentados ao então governador Paulo Pimentel. "Criar uma universidade naquele momento era o principal desejo da sociedade londrinense. O grupo de trabalho criado ficou incumbido dessa tamanha responsabilidade", reporta. Nessa época, Ascêncio viajou para os Estados Unidos para estudar o modelo das universidades americanas. "Nós começamos com 14 cursos e em poucos anos já introduzimos outros 14. Isso com recursos próprios, sem ajuda do governo, pois éramos uma fundação. Hoje, até para comprar uma caixa de giz é necessário uma licitação", critica.
Mesmo com alguns "acidentes de percurso", Garcia Lopes avalia como positiva a trajetória da universidade. "Tirando um problema ou outro, a UEL é um centro de excelência para Londrina e região. Quando analisamos a potência que é o Hospital Universitário, por exemplo, temos que reconhecer os méritos desta instituição", elogia, citando também outros serviços de extensão. "São muitos projetos que beneficiam diretamente a comunidade."
Para os próximos 45 anos, Garcia Lopes sonha alto. "Por que não um Prêmio Nobel? Temos que sonhar alto e trabalhar para que isso aconteça", planeja. Aos 88 anos, a vitalidade do médico parece a mesma de quatro décadas atrás. "Temos que sempre sonhar em chegar ao topo, ainda que o topo seja inalcançável. Quando chegamos lá, sempre haverá um andar mais alto", analisa.(C.F.)

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