Zagreb, 13 (AE-AP) - Centenas de milhares de croatas deram seu último adeus ao presidente Franjo Tudjman durante um funeral solene para o ex-general comunista que dirigiu seu país à independência da Iugoslávia em 1991.
"Ele entrará para a história como um dos grandes criadores"
disse o arcebispo de Zagreb, Josip Bozanic, à multidão que compareceu a um cemitério no topo de uma colina. Para muitos, Tudjman, uma figura controversa, é o fundador da nação croata.
O presidente, de 77 anos, morreu na sexta-feira à noite depois de uma dura batalha contra o câncer. Sua morte, embora longamente esperada, mexeu com o espírito nacional dos croatas.
Uma multidão seguiu o caixão de Tudjman pelo cortejo de 15 quilômetros do palácio presidencial até o cemitério, onde milhares de pessoas aguardavam o corpo.
A cerimônia foi finalizada com salvas de canhões e vôos de jatos da força aérea croata. Ao mesmo tempo, um coro cantava o hino nacional enquanto o caixão era baixado ao túmulo.
Em todo o país e em algumas partes da vizinha Bósnia - formada por 15% de croatas - acenderam velas em homenagem a Tudjman e em agradecimento ao fato dele ter libertado seu país da Iugoslávia.
"A morte de Tudjman marca um novo recomeço para a Croácia", disse Jelena Lovric, uma analista política. "Temos que esperar para ver qual o caminho tomaremos para o futuro".
Amanhã (14), terá início a campanha para as eleições parlamentares de 3 de janeiro e uma nova eleição presidencial deverá ocorreu em 60 dias.
A morte de Tudjman poderá resultar em grande prejuízo para a União Democrática Croata. Sem a sua presença, muitos acreditam que o partido, que está há oito anos no poder e manchado por uma forte crise econômica, poderá chegar ao fim.
Para outros, entretanto, com o patriotismo revivido com a morte do presidente, o partido poderia ser beneficiado nas eleições.
"Tal manifestação de pesar pela morte de Tudjman poderia não apenas fortalecer os eleitores anti-europeus como causar um significante impacto entre aqueles que ainda não decidiram seu voto" nas eleições parlamentares e presidenciais", escreveu o analista Davor Butkovic no jornal Jutarnji.
"A ausência de líderes mundiais no funeral poderá ser vista como uma confirmação, para alguns, da propaganda do partido de Tudjman - de que os EUA e Europa simplesmente não gostam da Croácia", disse ele.

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