Díli, 08 (AE-AP) - A Força Internacional de Paz da ONU para Timor Leste (Interfet) iniciou hoje (08) a operação de repatriamento de 256 mil refugiados dessa ex-colônia portuguesa que haviam fugido para a parte ocidental da ilha para escapar da campanha de violência das milícias pró-Indonésia.
O primeiro grupo, integrado por 166 foi levado em dois vôos charters de Kupang, em Timor Oeste - na parte indonésia da ilha -, para a capital de Timor leste, Díli. Enquanto não for definido o esquema para retorno dos refugiados por mar, haverá diariamente dois vôos diários para apressar o repatriamento.
Eles foram calorosamente recebidos por parentes, amigos e populares e levados para o estádio esportivo local, convertido em acampamento provisório para os refugiados. Alguns dos retornados disseram que os timorenses refugiados em Timor Ocidental temem que seus acampamentos sejam invadidos pelas milícias. "Eles continuam procurando pessoas pró-independência nos acampamentos. A polícia e o Exército indonésio nada faz para impedir que eles nos intimidem", disse Armando Sarmento, de 29 anos, um dos que regressaram no vôo da ONU.
Depois que a população votou majoritáriamente pela independência, num plebiscito realizado no dia 30 de agosto, esses grupos armados, apoiados pelo Exército indonésio, desencadeou uma campanha de assassinatos, expulsões e destruição contra os timorenses favoráveis à separação da Indonésia.
No alto comando da Interfet aumenta o temor de que as milícias ataquem os soldados da força de paz e a população. "A possibilidade de incursões das milícias nos próximos dias é provavelmente maior a partir de agora e até a votação, pelo Legislativo indonésio, da ratificação do plebiscito sobre a independência de Timor leste. As próximas semanas serão críticas", disse o ministro da Defesa da Austrália, John Moore. Militares australianos lideram as forças da Interfet.
O comandante da Interfet, o general australiano Peter Cosgrove, iria reunir-se hoje com o chefe do grupo guerrilheiro pró- independência Falintil, Matan Ruak, que lutou contra o Exército indonésio desde que o país invadiu Timor Leste em 1975. A Falintil havia concordado inicialmente com a exigência da Interfet de que depusessem suas armas, mas se negam a cumprir o compromisso enquanto os 1,4 mil soldados indonésios não deixarem o território.
Segundo os termos do acordo que permitiu o ingresso de tropas internacionais na região, uma parte dos militares indonésios permanecerá no território até que o resultado do plebiscito seja ratificado pela Assembléia Consultiva do Povo, provavelmente em novembro.

mockup