Primeiro dia do Uber tem queixas contra taxistas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 

A guerra entre taxistas e o Uber, já presente em outras cidades do País, ganhou um novo cenário nesta sexta-feira (19). O aplicativo começou a operar em Londrina no início da tarde e já nas primeiras horas de funcionamento surgiram as primeiras reclamações de motoristas do aplicativo.
Um motorista, que pediu para não ser identificado temendo retaliações, relatou à reportagem da FOLHA que chegou a ser perseguido. "Quanto vi que estava sendo seguido, dei a volta numa praça e estacionei para ver o que ele ia fazer. Aí o taxista passou ao meu lado, olhou bem para dentro do carro e foi embora. Foi para intimidar mesmo", narrou. "Acho que em vez de se preocupar com a gente, eles deviam fazer o trabalho deles, não ficar perdendo tempo tentando nos atrapalhar e intimidar", reclamou.
Por meio de um aplicativo de mensagens para celulares chegaram a circular supostos áudios de taxistas ameaçando realizar novas ações para atrapalhar o trabalho de motoristas do Uber durante a noite. Isso fez com que o motorista entrevistado pela FOLHA desistisse de trabalhar no período noturno nesta sexta.
Outro motorista disse que nada havia acontecido com ele, mas revelou ter ouvido companheiros de trabalho temerosos com "algumas ações estranhas". "Já fiquei sabendo que houve trotes, em que o motorista foi chamado a um determinado local e chegou lá não tinha ninguém. Estamos muito espertos porque pode ser que seja alguém querendo pegar os dados do carro", afirmou.
Nestes casos, a orientação da Uber, segundo os motoristas, é primeiramente procurar um lugar seguro e, depois, acionar a polícia. "A empresa pede para não se entrar em atrito, porque eles mesmos estão se queimando fazendo isso", observou um dos motoristas ouvidos pela reportagem.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina, Antônio Pereira da Silva, garantiu que as ameaças não partiram de taxistas. "Passamos uma orientação a todos para não se envolverem em problemas com eles. Garantimos isso ao prefeito também e não vamos impedi-los de trabalhar. Eles vão ter que se acertar com a Prefeitura. Eles estão fazendo isso por mídia, e nossa preocupação nesse momento é só fazer tudo para atender nossa clientela da melhor forma possível", disse.
A Uber informou que não divulga dados de movimentação nas cidades onde opera, tampouco a quantidade de motoristas que estão em ação nas ruas de Londrina. No entanto, os profissionais que conversaram com a reportagem contaram que o movimento foi satisfatório nas primeiras horas. Em pouco mais de duas horas de trabalho, cada um já havia atendido duas chamadas.


