Primeiro clone humano deve nascer este ano
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sexta-feira, 05 de abril de 2002
Agência Efe 
Roma - O polêmico ginecologista italiano Severino Antinori anunciou que o primeiro ser humano clonado deve nascer em breve, já que a mãe da criança está na oitava semana de gravidez, segundo informam duas conhecidas publicações internacionais em suas edições digitais.
O jornal digital dos Emirados Árabes Unidos Gulf News e a edição da Internet da revista britânica New Scientist publicam o anúncio de Antinori, feito esta semana num congresso sobre o futuro da engenharia genética em Abu Dhabi.
Colaboradores de Antinori na Itália se recusaram a confirmar a notícia, que também repercutiu ontem em alguns meios digitais italianos, como o Il Nuovo, do grupo Biscom, que prevê o eventual nascimento em Dubai, capital do Catar. Em algumas declarações reproduzidas pela Gulf News, Antinori afirma que o projeto de clonagem humana está num estágio muito avançado. Uma mulher entre milhares de casais inférteis incluída no programa está na oitava semana de gravidez.
O médico italiano, conhecido mundialmente por ter ajudado em 1994 uma mulher de 62 anos a engravidar, assegura que cerca de cinco mil casais estão envolvidos nesse projeto, em que colabora o médico americano Panos Zavos, que possui uma clínica especializada em reprodução no estado de Kentucky, nos EUA. Antinori explica que a técnica utilizada consiste em transferir o DNA do núcleo de células vivas para um óvulo a fim de criar um embrião humano que, posteriormente, é implantado no útero de uma mulher.
Quanto às dúvidas suscitadas pelo envelhecimento precoce da ovelha Dolly, o primeiro ser vivo clonado, o ginecologista romano responde que são feitos avanços contínuos nesse campo, dia após dia e especifica que é possível observar respostas diferentes para cada espécie.
Novos erros na clonagem reprodutiva, nesse caso com ratos, foram evidenciados num experimento do Instituto de Doenças Infecciosas de Tóquio, divulgado em fevereiro, que revelou que dez dos 12 exemplares obtidos com essa técnica morreram antes do tempo.
O polêmico investigador italiano, conhecido como o pai das crianças impossíveis, sempre defendeu que a clonagem humana é diferente da dos ovinos e de outros mamíferos. Em sua ânsia de defender suas arriscadas teses, Antinori argumenta que seus experimentos reduzem as possíveis deformações atribuídas à reprodução assistida (registradas em 4 por cento) porque o risco é controlado antes do implante do embrião.
Seus projetos de clonagem foram rechaçados e proibidos na Itália e nos EUA que estabeleceu uma moratória de cinco anos , apesar de ter sempre se mostrado decidido a levá-lo adiante a qualquer custo.
As críticas que acompanharam sua trajetória nos últimos anos voltaram a se manifestar ontem e a organização profissional de médicos da Itália já anunciou a possível abertura de um processo disciplinar, como fizeram no passado.
Nas declarações reproduzidas pelo jornal digital dos Emirados Árabes Unidos Gulf News, Severino Antinori se defende das acusações formuladas contra ele com o argumento de que o problema não é a Ciência, mas o uso que se faz dela. Não entendo a oposição a seu projeto , parece que temos medo da pesquisa sobre a reprodução assistida. Como a energia atômica, a clonagem pode ser utilizada para fins benéficos, ressalta.
Uma das últimas intervenções públicas de Antinori foi em novembro numa reunião da Academia Nacional de Ciências dos EUA, onde negou as complicações alegadas pelos cientistas opostos a seus experimentos e defendeu que as células-mãe obtidas através da clonagem podem curar todas as doenças.
Nesse mesmo mês, os laboratórios da Advanced Cell Technology, em Massachusetts (EUA), anunciaram que haviam clonado embriões humanos para obter células-mãe com fins terapêuticos, mas ressaltaram que sua intenção não era a de criar seres humanos completos.


