Primeiro bebê de proveta do Brasil completa 18 anos
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sábado, 05 de outubro de 2002
Evandro Fadel<br> Agência Estado. 
Curitiba - A universitária paranaense Anna Paula Caldeira completa 18 anos amanhã. Uma festa de aniversário como muitas outras que se realizam diariamente no Brasil, não fosse ela o primeiro bebê de proveta do Brasil e da América Latina. A técnica foi uma das marcas revolucionárias da medicina no País seis anos antes o primeiro bebê de proveta do mundo tinha nascido na Inglaterra.
A mãe de Anna Paula, Ilza, casada pela segunda vez, não podia mais ter filhos já tinha cinco do primeiro casamento -, em razão de uma infecção, que resultou na retirada das trompas. Ela topou dar o ''passo ousado na época'' pelas mãos do médico paulista Milton Nakamura, falecido em 1997, vítima de queda acidental. ''Fui abençoada sob todos os aspectos'', afirma Ilza.
Apesar de ter o nome ligado à história da medicina brasileira, Anna Paula é uma jovem como tantas outras que circulam pelas ruas de Curitiba, que gosta de sair com os amigos nos fins de semana e adora passeios nos parques. ''Desde pequena, esse assunto foi tratado com naturalidade'', diz. ''Os repórteres estavam sempre em casa.'' Além de pilhas de recortes de reportagens, ela mantinha contatos com o dr. Nakamura. ''Ele dizia que eu era a estrela da vida dele'', lembra.
Cursando o segundo ano de Nutrição na PUC-PR, ela tem aulas de sapateado três vezes por semana, frequenta academia quase todos os dias, estuda francês e já passou um ano nos Estados Unidos. ''Levo uma vida supernormal'', afirma. ''Não tenho nenhuma vantagem nem desvantagem.'' Os colegas conhecem sua história e às vezes ela é reconhecida na rua. ''Mas nunca fui discriminada ou vista com olhares diferentes'', diz. ''Todo mundo acha muito legal e normal.''
A jovem, como sua mãe, nunca recusa pedidos para entrevistas. ''Nos tornamos conhecidas e muitas pessoas nos procuram para orientação'', afirma a mãe. ''Foram 18 anos de aprendizado humano.'' Ilza conta que recentemente brincava com uma criança na fila do banco, quando lhe perguntou o nome. A menina respondeu que era Ana Paula. ''Eu também tenho uma filha com esse nome'', disse-lhe Ilza. A mãe da criança entrou na conversa. ''Eu conheço sua história e, por conhecê-la, tive minha filha.'' O nome da criança, também fertilizada in vitro, era uma homenagem ao primeiro bebê de proveta.


