Primeiro ataque depois da 2ª Guerra complica governo alemão
Bonn, 25 (AE-REUTERS) - A participação da Luftwaffe nos ataques da Otan contra a Iugoslávia - a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que pilotos alemães participam de um ataque militar contra um outro país - recebeu apoio do Parlamento hoje (25), mas também foi alvo de forte criticismo.
O chanceler alemão, o socialista Gerhard Schreder, eleito em setembro como o primeiro líder alemão do pós-guerra muito jovem para se lembrar do nazismo, justificou os ataques em um discurso à nação como sendo uma ação humanitária para proteger civis em Kosovo.
Depois de uma noite de bombardeios dos quais quatro aviões Tornado alemães tomaram parte ativa, Schreder afirmou a jornalistas que espera agora que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, relaxe sua posição e assine o tratado de paz com os líderes rebeldes kosovares.
A populosa oposição de centro-direita, incluindo o líder democrata cristão Wolfgang Schaeuble, ofereceu ao governo socialista seu completo apoio.
Por outro lado, os comunistas da ex-Alemanha Oriental compararam a ação da Otan ao ataque repentino dos nazista a Belgrado em 1941, além de afirmar que os Estados Unidos e seus aliados quebraram leis internacionais ao atacarem um Estado soberano sem um mandato das Nações Unidas.
"Depois de tudo o que acontenceu neste século, a Alemanha não tem o direito de jogar bombas sobre Belgrado", disse no Parlamento um furioso Gregor Gysi, chefe do Partido do Socialismo Democrático.
Até mesmo o pequeno aliado de Schreder, os verdes, cujo membro mais proeminente no gabinete é o ministro das Relações Exteriores Joschka Fischer, dividiu-se em torno da participação da Alemanha nos ataques contra a Iugoslávia.
Alguns deputados do partido - que tem como base uma política totalmente anti-nuclear e rejeita o passado militarista alemão - desafiaram Fischer e a liderança da agremiação e exigiram o fim dos bombardeios.
Fischer e a porta-voz de assuntos de defesa do partido, Angelika Beer, que é a principal representante da linha radical dos verdes, defenderam a decisão do governo como uma ação humanitária.
A Fuftwaffe (força aérea alemã) realizou sua primeira ação no exterior em 1995, sobre a Bósnia, mas sem participar diretamente de ataques. À época, seus tornados fizeram vôos de reconhecimento e rastreamento de radar na região para outros aviões da Otan.





